Ataque cibernético ao "big brother" chinês
Repórteres Sem Fronteiras saqueram frequência de estação de Pequim
ALMIRO FERREIRA
A associação Repórteres Sem Fronteiras deu um golpe ao "big brother" chinês. Em ataque cibernético, pirateou a frequência de uma rádio de Pequim, saqueou clandestinamente a emissão e disse cobras e lagartos do regime.
Esta é uma história de pilhagens cibernéticas, com despojos virtuais. Se, na véspera, lhe tinham saqueado o site internet com um ataque viral de procedência desconhecida, embora se suspeite de "hackers" chineses, ontem, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) conseguiu uma gloriosa retaliação: ludibriou o controlo do regime, pirateou a frequência FM de uma rádio de Pequim e emitiu, clandestinamente, durante quase meia hora, palavras de ordem pela liberdade de expressão e contra as supostas violações dos direitos humanos no Império do Meio.
Organizado desde Paris, o ataque pirata da RSF foi perpetrado através de emissores miniaturizados e de antenas móveis. E até a hora da emissão clandestina teve toda a simbologia: se, na superstição numérica dos chineses, a abertura dos Jogos estava marcada para as 08.08 horas da noite de 8/8/2008, a rádio FM foi tomada de assalto às 8.08 horas da manhã.
Uma voz, em francês, seguida de outra, na dobragem em inglês, endereçou a primeira declaração às autoridades chinesas: "Nunca calarão a liberdade da palavra".
As mensagens contra o regime continuaram na língua local: "Sejam bem-vindos à Rádio Repórteres Sem Fronteiras em Pequim […] para vos informar sobre a liberdade de expressão no país da censura"; "Esta é a maior afronta ao regime que mantém na cadeia dezenas e dezenas de jornalistas e de internautas".
A RSF congratulou-se de ter criado, ainda que brevemente, "a única estação de rádio livre da China, a primeira não estatal desde que o Partido Comunista tomou conta do poder, em 1949".
Durante os 22 minutos de antena clandestina, defensores chineses dos direitos humanos refugiados no estrangeiro pediram a Pequim que libertasse os presos por delito de opinião e que descodificasse as frequências das rádios internacionais que emitem em Chinês, nas frequências de onda curta.
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