A máquina do tempo
Nunca serão suficientemente enaltecidas as virtudes do mercado e da concorrência. O mercado gera concorrência e a concorrência gera mercado. É uma espécie de moto contínuo que, por sua vez, gera a felicidade geral e a particular de concorrentes e mercadores.
Aconteceu assim quando o Estado abriu mão do ensino superior e o pôs no mercado. Só não se licenciou, não mestrou e não doutorou, a baixo preço e sem esforço, quem não quis. E no que não quis, pois a imaginação do mercado não tem limites. Só faltou um doutoramento geral, como o da aluna de "A lição", de Ionesco. Mas nem Ionesco se teria lembrado de "la crème de la crème" da imaginação mercantil: "Pós-gradue-se primeiro e gradue-se depois". Lembrou-se o mercado, a crer no lustroso currículo que Armando Vara exibe na página do BCP, onde consta que se pós-graduou no ISCTE um ano antes de se ter graduado na Independente, de boa memória. Só surpreende que não tenha sido em Língua Portuguesa, tendo em vista o português com que termina a sua famosa carta de suspensão: "Suspenção e não renuncia porque tal poderia ser entendida com assumpção de culpa".
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