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"Vicky Cristina Barcelona": Eterna fantasia do homem

Novo filme de Woody Allen, estreia esta quinta-feira nas salas nacionais

JOÃO ANTUNES

Cinema e vida real. Dois mundos distintos, que por vezes se cruzam. Os dois actores espanhóis que Woody Allen escolheu, Javier Bardem e Penélope Cruz, eram amigos de longa data. Depois do filme, tornaram-se companheiros na vida real… Veja o trailer do filme aqui.

Em "Vicky Cristina Barcelona", que chega amanhã aos cinemas, duas jovens americanas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) chegam à capital catalã para passar as férias de Verão. Vicky é sensível, séria e está noiva. Cristina é mais aventureira, do ponto de vista emocional e sexual. Na cidade, são seduzidas para uma relação muito pouco convencional com Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor carismático, que ainda está envolvido com a sua tempestuosa ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz).

Em Cannes, onde o filme teve a sua primeira apresentação mundial, Woody Allen falou à imprensa, começando por se referir a uma relação a três - um homem e duas mulheres - como uma eterna fantasia masculina. Mas não mais do que uma fantasia. "Quando se tenta encontrar soluções para as nossas vidas, dois tende a ser mais complicado que um", admite. "Mas as personagens do filme, como a química entre eles estava a dar certo, conseguem resolver esta situação, mesmo que por um breve período de tempo".

O realizador separa claramente a ficção da realidade. "Na vida real, a maior parte das pessoas não resistiria a este tipo de situação, pelo menos de uma forma séria. É demasiado complicado, há muitas ramificações emocionais para ultrapassar. Já é suficientemente duro fazer com que a relação com uma pessoa resulte. Com duas, torna-se geometricamente fatal."

O facto de ir fazer um filme a Barcelona não podia deixar de ser um dos principais tópicos da conversa. "Telefonaram a perguntar se estaria interessado em fazer um filme lá, que o financiavam. Disse logo que sim. Adoro Espanha, adoro Barcelona", explicou com a maior das naturalidades. "A minha mulher e os meus filhos iriam adorar passar o Verão em Barcelona. Por isso, escrevi uma história que podia rodar em Barcelona. Mas se alguém me chamasse de Roma, Veneza, Estocolmo ou Deus sabe lá de onde, provavelmente teria aceite da mesma maneira."

Os filmes de Woody Allen, e "Vicky Cristina Barcelona" não é excepção, são ao mesmo tempo divertidos mas profundos, no tratamento das relações humanas. Sobre o tom da película, o realizador explica: "Fiz o filme romântico porque queria que o seu lado mais trágico fosse penetrando aos poucos no espectador. Quis que as pessoas se divertissem com uma história romântica, que vissem romance entre pessoas e queria também algumas gargalhadas mas, no fim , queria que houvesse uma sensação de alguma tristeza… Não queria que fosse uma tragédia, mas algo trágico de forma subtil."

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21.01.2009
10:39
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