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Zero 7 levaram Sia da Austrália para os EUA

LILIANA CARVALHO LOPES

A voz não é de todo desconhecida. Sia Fuller foi vocalista dos Zero 7, mas agora vale por si só. O melhor da carreira a solo é "crescer e tomar decisões"; o pior são "as saudades" da banda. "Some people have real problems" é o mais recente disco.

Em entrevista ao JN, a australiana conta que, no início da carreira, não procurava êxito comercial e que quando estava no Reino Unido concentrava-se mesmo nessa "tarefa". Trabalhou cerca de oito anos com os Zero 7, em "álbuns para os quais sentia que não precisava de me esforçar muito", mas quando a editora Universal propôs integrar uma das faixas do seu álbum "Color the small one", "Breathe me", no último episódio da série "Sete palmos de terra", apercebeu-se de que "talvez não me importasse de ter algum sucesso, talvez a minha estrada com os Zero 7 tivesse chegado ao fim".

O que mudou, então, quando se mudou para os Estados Unidos? "Julgo que a principal razão foi porque me ofereceram dinheiro para o fazer [cantar]. Eu era uma criança com 21 anos, tinha trabalhado num bar e sido 'babysitter'. Então, quando me ofereceram dinheiro para cantar, fiquei extasiada porque era um emprego tão bom e tão fácil... Aceitei de bom grado". A viver em Los Angeles, já não lhe parecia tão "assustador juntar-me a este 'Carnaval com um bando de palhaços' e tornar- -me um deles".

Sia conta quatro álbuns: "Healing is difficult" (2001), "Colour the small one" (2004), "Lady croissant" (2007) e "Some people have real problems". O melhor da carreira a solo é "aprender, ganhar responsabilidade, crescer, tomar decisões e trabalhar no duro", mas o pior são "os laços que se perdem e as saudades dos Zero 7. Continuamos a ser amigos, mas, de certa forma, já não fazemos digressões e sinto que perdi a família. Tive alguns dos melhores momentos da minha vida com eles, por isso, sinto saudades".

A criança que há na mulher de 33 anos é visível nas capas do álbum e até no seu sítio oficial. "Quando estava numa digressão, um namorado enviou-me umas cartas românticas desenhadas no computador. Achei aquilo tão bonito, simples, despretensioso e honesto. Conclusão: foi inspirado por um ex-namorado, construído [o site] por outro e adaptado ao CD", revela, entre gargalhadas. Mas, recuperando a compostura, reforça que "não estava a pensar em marketing ou na forma como as capas do álbum reflectiam as músicas, sei que é totalmente díspar e as pessoas estão constantemente a dizer-me isso. Bem, todos temos várias facetas reais da mesma personalidade, por isso, as capas são da Sia de cinco anos e as músicas da Sia de 33", rematou.

 
 
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