Nova editora no Porto
Ahab Edições aposta na literatura traduzida e lança-se no mercado nacional com três títulos
ISABEL PEIXOTO
No dia 22 de Outubro, chegam às livrarias de todo o país, incluindo as ilhas, os primeiros títulos publicados pela Ahab Edições. Com sede no Porto, a editora aposta na literatura traduzida e começa com obras de Fante, Solstad e Stuparich.
Comecemos pelo nome. Ahab é a personagem central do romance "Moby Dick", de Herman Melville, cuja versão cinematográfica de 1956 contou com Gregory Peck no papel do inflexível capitão. É na obstinada perseguição à baleia que os responsáveis por este novo projecto vão buscar o paralelismo: "Nós embarcamos na editora com essa obstinação, para caçarmos a boa literatura por todas as paragens do Globo", diz Tiago Szabo.
Prossigamos com as pessoas. Além de Tiago, ao leme desta aventura livreira está ainda Joana Pinto Coelho. Ambos advogados a exercer no Porto, ambos com vontade de publicar livros bem escritos e com uma vida longa. Para as três obras de lançamento, contam, na tradução, com a colaboração de Rui Pires Cabral, Margarida Periquito e Liliete Martins.
Agora, as motivações. "Há um autor norueguês que vamos publicar, o Dag Solstad, que diz que a literatura é uma epidemia em pequena escala, uma epidemia secreta que de repente rebenta nos sítios mais estranhos, enquanto deixa outros inalterados. Creio que ela também terá rebentado no nosso espírito e conduzido, de alguma maneira, a esta predisposição", explica Tiago, acrescentando que a estratégia editorial deste projecto passa pela "tradução de literatura de qualidade", a partir das versões originais.
A esse propósito, diz ainda: "Termos tradutores de grande qualidade, que vertam o livro para um português luminoso, é fundamental". Por outro lado, salienta a importância do design, qual "fachada de uma casa onde dá vontade de entrar".
A Ahab Edições surge numa altura em que ainda se sentem os ventos nefastos da crise, mas este é um dos poucos sectores que resistem. Sobre o preço dos livros, Joana faz uma curiosa comparação: "O preço do livro pode, à partida, parecer elevado. Mas, se formos a uma sessão de cinema, pagamos cinco euros pelo bilhete e estamos duas horas numa sala, enquanto se comprarmos um livro por 20 euros, esse livro acompanhar-nos--á não só durante o período de leitura, mas durante toda a vida".
Qualidade de escrita, imaginação, encanto, inquietação e contemporaneidade são as promessas desta dupla de editores, apostada na ficção estrangeira mas não de costas viradas para os autores nacionais que procurem a Ahab. Quanto ao futuro, Tiago deixa uma certeza: "Não sabemos se nos vamos diferenciar, mas sabemos que escolhemos um livro a pensar na satisfação que ele poderá dar ao leitor".
"No fundo, o que vamos fazer é resgatar livros que continuam a ser importantes nos países onde foram originalmente publicados e que achamos que também são pertinentes para o leitor português", conclui. Nesta fase, a Ahab publica "Pergunta ao pó" (John Fante), "Pudor e dignidade" (Dag Solstad) e "A ilha" (Giani Stuparich).
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