Amadorismo de Norte para Sul
Teatro associativo, que conta cerca de 600 grupos, tem vindo a crescer, sobretudo entre jovens
ISABEL PEIXOTO
Calcula-se que, por todo o país, haja cerca de 600 grupos ou associações que se dedicam ao teatro de forma regular. O amadorismo tem vindo a crescer, sobretudo entre jovens, e é no Norte que se nota a maior concentração, sobretudo no Litoral.
Os dados são avançados pela Associação Nacional de Teatro de Amadores (ANTA), que aponta os distritos do Porto e Braga como líderes das zonas onde existe registo de maior número de associações. Logo a seguir surgem, por esta ordem, a região de Lisboa e Vale do Tejo e o distrito de Faro. Segundo Fernando Rodrigues, que exerce a função de secretário na ANTA, há outros casos, "que se dedicam à prática regular e frutuosa de teatro de amadores, nos distritos de Viseu, Aveiro, Évora e Coimbra".
Apesar de ser difícil chegar a números certos, as estimativas daquela associação apontam para cerca de 600 grupos a dedicar-se à arte de forma regular. Na sua maioria, estão incluídos em associações multi-disciplinares, mas também existem "associações ou grupos que se dedicam única e exclusivamente à prática do teatro, quer na sua vertente artística, quer na vertente da formação", acrescenta aquele responsável.
Fernando Rodrigues refere ainda que "tem aumentado o número de pessoas, especialmente jovens, que se interessam" pela área, o que o leva a concluir que "o teatro amador e/ou associativo tem futuro". No entanto, adverte: "A melhor forma de potenciar o que fazemos ao nível do teatro é perceber o mundo que nos rodeia, interpretá-lo e trabalhar de forma séria e regular, produzindo espectáculos de qualidade".
Curiosamente, hoje é dado a conhecer na Guarda um novo grupo, denominado Tintinolho, que congrega gente com profissões muito distintas. Estreia-se no pequeno auditório do Teatro Municipal (21.30 horas), com a peça "Minimamente".
Também com afazeres da mais diversa ordem são os elementos do Grupo de Teatro do Orfeão do Porto, responsáveis pela peça que, logo à noite, é apresentada no âmbito do "Amasporto" (ver caixa). Recuperado de um quase esquecimento há cerca de sete anos, o grupo é liderado por Nelo Vieira, também encenador e actor.
Depois do teatro para crianças, o colectivo dedica-se agora mais à revista, mostrando a sua particular visão da sociedade. O responsável explica porquê: "Talvez seja a área do teatro que traz mais benefícios ao Orfeão, no aspecto financeiro. Um drama não se vende tão facilmente como o teatro de revista". E a verdade é que, mesmo amadores, estes actores já levaram o seu trabalho a concelhos como Montalegre. A digressão é aposta ganha e para continuar. Hoje, o Orfeão apresenta "Ó Zé... vamos votar", peça que, apesar de toda a malandrice que carrega, também tem os seus números sérios.
Alfredo Correia, fundador e encenador residente da Companhia Teatral de Ramalde, refere que na Área Metropolitana do Porto há grupos "com uma actividade contínua" e também "organizadores de encontros ou festivais de teatro com relevância sociocultural nos locais onde estão inseridos". Apesar de estar optimista quanto ao futuro, diz ser " necessário que os poderes políticos olhem com mais atenção para o quanto é importante a actividade produzida pelo movimento associativo".
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