Os Spandau Ballet estão de volta aos palcos depois de 20 anos de abstinência, quer de concertos, quer de estúdio. Hoje, actuam em Lisboa, no Pavilhão Atlântico, a partir das 21 horas, e trazem o mais recente disco, "Once more".
No início dos anos 80, era difícil perceber quais eram os favoritos entre os grupos britânicos associados ao movimento neo-romântico. Contemporâneas dos Spandau Ballet, bandas como Duran Duran, Classix Nouveaux, Human League, Ultravox ou Culture Club marcaram o a primeira metade da década de 80. Portugal não foi excepção nessa onda e acolheu calorosamente a pop electrónica do quinteto liderado por Tony Hadley. Quem não se lembra de temas como "True", "Lifeline", "Gold", "Communication", "The freeze" ou "Through the barricades"? Ou de "To cut a long story short", incluído no primeiro álbum?. Haverá muito para pôr em dia, no concerto de hoje.
Não chegaram a acabar. Fizeram uma pausa que durou 20 anos e agora, no regresso aos concertos, tiveram no Reino Unido mais e melhor público do que nos anos 80. Eis os Spandau Ballet, frescos como quando começaram, numa digressão a que chamaram "Reformation", ou seja, reunião.
O grupo liderado por Tony Hadley esteve em Portugal em 1982, no início de uma carreira que, embora muito bem sucedida, foi interrompida relativamente cedo. "Não chegámos a acabar. Parámos de tocar em 1990 por uma série de circunstâncias. Era tempo de descansar. Só não pensávamos que esse descanso pudesse durar 20 anos", explica, ao JN, Gary Kemp, guitarrista e responsável pelo regresso da banda inglesa.
Foi há cinco anos que Gary lançou o repto aos restantes quatro elementos, depois de sanados os danos provocados pela acção judicial sobre direitos de autor que lhe havia sido movida por Tony Hadley, John Keeble e Steve Norman. "Na vida, fazemos escolhas: ou esquecemos ou deixamos que o assunto permaneça e arruine tudo o que fazemos", justifica, apesar de reconhecer que "os homens têm grandes egos".
Só foi preciso esperar mais uns tempos até que a ideia ganhasse forma e, há um ano, Gary e Tony encontraram-se pela primeira vez neste tempo todo. "Descobrimos que estes 20 anos não tiveram importância nenhuma. Todos queremos fazer música", diz, ainda, para logo acrescentar: "Quando agora nos juntámos nos ensaios, tudo soou a Spandau Ballet, à música daquele tempo. Estamos a tocar melhor do que nunca, as piadas regressaram e rimo-nos juntos".
Gary afirma ter "grandes recordações" dos espectáculos que a banda deu em Lisboa e no Porto. "Portugal foi dos primeiros países a perceber o que eram os Spandau Ballet, foi dos primeiros países fora do Reino Unido a compreender todo o movimento neo-romântico", acentua. Quanto ao concerto de hoje, espera uma reacção muito semelhante à que a banda suscitou no início da presente digressão, no Reino Unido. Diz Gary que tiveram concertos "muito melhores do que nos anos 80, em alguns casos, com muita gente de pé durante todo o tempo".
Será queTony, John, Steve, Gary e o seu irmão Martin estão em boa forma física? Gary não vacila na resposta: "Claro, por que não? Só temos 50 anos, não estamos a morrer. Não somos velhos nem gordos... Sinto-me agora como quando tinha 20".
Ainda sem saber se levam a "Reformation tour" aos Estados Unidos, os Spandau Ballet têm uma agenda muito preenchida nos próximos meses. Só em Abril, dão seis concertos na Austrália e um na Nova Zelândia. Em Maio, vão à África do Sul e aos Emirados Árabes Unidos, regressando à Europa em Junho. E já têm material para um novo álbum.