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Ana Almeida: Simples "part-time" mudou-lhe a vida

R. M. M.

Quando trabalhava na Junta de Freguesia da Madalena, em Lisboa, e procurou um "part-time", Ana Almeida estava longe de pensar que lhe ia mudar a vida. Ex-jogadora do Futebol Benfica e do 1.º Dezembro, entre outros, aceitou colaborar com um empresário e entrou no mundo do futebol sem querer. Contudo, o dito empresário não tinha licença e Ana Almeida viu aí a grande oportunidade. Já nem queria saber do sonho de ser médica. Queria mesmo a bola. "Nunca pensei agenciar jogadores". Em 2003, tornou-se na primeira mulher agente FIFA do país, a segunda empresária encartada pela FIFA no Mundo. Aprendeu leis e regulamentos. Mas nunca se sentiu discriminada. "Ao início, foi uma surpresa. Quando marcava reuniões, os dirigentes estranhavam. Mas nunca fui mal recebida".

A empresária devora futebol. Quando não é ao vivo, é na televisão. Confessa que é "o que mais gosta", sobretudo na formação. Mangualde e Hugo Machado, na altura juniores do Sporting, foram dos primeiros. Nani foi o mais conhecido. E foi o actual jogador do Manchester United que levou Ana Almeida e Jorge Mendes à Justiça, depois de o médio assinar pela Gestifute. "O caso está no Supremo Tribunal de Justiça", adianta a empresária, que, entretanto, perdeu o contacto com Nani.

Ana Almeida faz dos jovens uma prioridade e critica "a falta de paciência" de alguns colegas para a formação. Tem em carteira "entre 15 e 20 jogadores", entre Portugal, Alemanha, Grécia e Chipre. É defensora do produto nacional. "Estamos a ficar um Brasil, um país exportador. Estamos com cada vez mais estrangeiros, sem qualidade, ao invés dos portugueses", critica a agente FIFA, que sugere "um limite de estrangeiros na formação, para proteger o jogador português".

Como qualquer empresário que se preze, não larga o telemóvel. E nem os cinco colaboradores que a ajudam a fazem trabalhar menos. "Em períodos de mercado, chego a gastar dois mil euros em telemóvel por mês", adianta. Nem conta o número de chamadas. Descanso é algo que não existe: "Às duas, três da manhã, ligam-me do Brasil. Não há hora para deitar. Férias? Só em Setembro". Mas convive bem com a falta de sono: "Gosto do que faço".

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