O vencedor da última Volta a Portugal remete-se ao silêncio até que seja conhecido o resultado da contra-análise a um controlo positivo de doping que acusou dois dias antes da competição. A Liberty Seguros retirou apoio à União Ciclista da Charneca.
| foto MIGUEL A. LOPES/LUSA |
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Nuno Ribeiro confirmou, à Lusa, ter recebido a notificação da União Ciclista Internacional (UCI) a informá-lo de que acusou positivo num controlo anti-doping surpresa realizado dias antes da volta a Portugal em bicicleta.
O ciclista reconheceu, em comunicado, ter sido "notificado via e-mail de resultado analítico adverso, em controlo fora de competição, pelo que aguarda a realização da contra-análise a ser efectuada no próximo mês de Outubro".
No documento, pode ainda ler-se que "face a tal acontecimento, o ciclista não prestará quaisquer declarações à comunicação social, o que o fará após os resultados da contra-análise".
O ciclista, de 27 anos, "remeter-se-á ao silêncio a fim de evitar especulações e deturpações quanto à sua situação desportiva, pelo que espera da comunicação social o respeito pela sua pessoa e família, o direito à privacidade e bom nome, até decisões jurisdicionais ou judiciais finais".
Liberty seguros "acaba" com a equipa
A Liberty Seguros já havia anunciado, esta madrugada, a suspensão do apoio à equipa de ciclismo, da União Ciclista da Charneca, face à comunicação da UCI, que dá conta que vários corredores da equipa, incluindo Nuno Ribeiro, vencedor da Volta a Portugal, “acusaram positivo” em testes efectuados antes desta prova.
Segundo um comunicado da empresa seguradora, assinado pelo CEO, José António Sousa, que durante esta sexta-feira vai chegar à comunicação social, “os testes efectuados pela UCI revelaram a existência de EPO”. Ao que o JN apurou além de Nuno Ribeiro, também Hector Guerra e Isidro Nozal terão sido apanhados nas malhas do doping.
Ao ser informado “durante esta madrugada pela Direcção da equipa” que vários ciclistas da equipa “terão recebido mensagens em que a UCI lhes comunica terem acusado positivo à substância proibida EPO”, num controle efectuado por esta entidade internacional dias antes da 71ª Volta a Portugal, a Liberty Seguros comunicou “que retira com efeitos imediatos o patrocínio à equipa, e abandona a sua política de apoio a esta modalidade através do patrocínio directo a uma equipa”.
José António Sousa recorda que a Liberty Seguros em Portugal “assinou há 5 anos um contrato de patrocínio com a União Ciclista da Charneca” que foi sendo renovado ano a ano, “com regras duríssimas” aplicáveis a qualquer caso que pudesse violar os valores éticos da empresa, “como é o caso do doping”.
A empresa comunicou à direcção da equipa da Charneca, liderada por Vitor Paulo Branco (maneger) e Américo Silva (director-despotivo) que retira “com efeitos imediatos o patrocínio e abandona a sua política de apoio a esta modalidade através do patrocínio directo a uma equipa”.
Apesar deste “golpe fatal” a empresa assegura que vai “estudar a possibilidade de manter o patrocínio a provas específicas, como o recém-criado Grande Prémio Liberty Seguros, em associação à PAD”, que ontem teve início no Sobral de Monte Agraço, lamentando que esta caso “venha destruir a vida das 20 famílias que dependem do patrocínio à equipa”.
Depois do da “Operação Puerto”, em Espanha, que levou à extinção da Liberty, ex-Once, dirigida por Manolo Sainz, a empresa em Portugal continuou a patrocinar a equipa do Oeste
Após a Volta a Portugal, a Liberty assumiu com a PAD, o patrocínio do antigo Grande Prémio da Extremadura, cuja primeira etapa foi ganha pelo seu corredor Filipe Cardoso e que hoje a partir das 15h30 tem a 2ª etapa, com partida e chegada a Alcobaça.
A seguradora tinha também assumido o patrocínio da “Corrida dos Campeões” a disputar no Funchal no próximo dia 26 de Setembro.
Recorde-se que nos cinco anos que leva no ciclismo a empresa seguradora ganhou este ano pela primeira vez a Volta a Portugal em Bicicleta, através de Nuno Ribeiro, corredor que está a disputar o Grande Prémio Liberty.
Esta temporada a Liberty Seguros tinha ganhou 33 corridas em Portugal e no estrangeiro, entre etapas e prémios, de onde se destacou a vitória de Ribeiro, além dos triunfos de Hector Guerra, no Troféu Joaquim Agostinho e o título de Campeão Nacional de Estrada de Manuel Cardoso.