Leão esteve a perder, mas construiu resultado gordo (1-4) na segunda parte.
O Sporting regressou aos triunfos, na estreia de Carlos Carvalhal, ao eliminar o Pescadores. O técnico já mostrou algo do que quer implementar na equipa, mas adivinha-se muito trabalho, pelo que se viu no primeiro tempo...
Carlos Carvalhal estreou-se com uma vitória no comando técnico do Sporting, mas não se livrou de um valente susto de 45 minutos, ao ver a equipa perdida em campo e a ir para o intervalo a perder.
O treinador arriscou, ao fazer entrar a equipa em campo com um esquema completamente diferente das rotinas que do passado, num 4x3x3 bem à sua imagem. No entanto, a prudência aconselharia a que, com apenas dois treinos com todo o grupo, a revolução fosse adiada pelo menos até haver oportunidade de testar os jogadores. O resultado foi um conjunto perdido ao longo de quase todo o primeiro tempo, tanto defensivamente como no aspecto ofensivo. Os lances de ataque que iam aparecendo eram criados somente pelas alas e Liedson revelou-se demasiado perdulário, permitindo duas grandes defesas a Nuno Madureira.
De resto, a equipa, onde a surpresa acabou por ser a inclusão de Pereirinha no onze, não demonstrava capacidade para criar lances de ataque a partir do miolo, perdendo a posse de bola vezes sem conta, por nítida confusão de posicionamento.
No aspecto defensivo, o espaço entre a defesa e Miguel Veloso - o mais recuado do sector intermédio -, dava campo de sobra para o Pescadores lançar perigosos contra-ataques. E foi assim, precisamente após a perda de bola numa transição de Miguel Veloso, que Tó Zé encheu o pé, do meio da rua, e causou surpresa, ao bater Patrício.
Tremia a formação de Carvalhal, revelando-se cada vez mais incapaz de superar a organização do Pescadores, equipa de poucos recursos mas disciplinada tacticamente e demasiado viril em algumas disputas de bola. Dado este estado de coisas, a vantagem, ao intervalo, era justa e Carvalhal saiu preocupado.
Mas, como se viu, mais não tinha de fazer do que devolver o azimute à equipa, mudando o esquema táctico para um 4x4x2 clássico, a que os leões recorriam no tempo de Paulo Bento.
A entrada de Postiga para o lugar do desastre Grimi deu a referência ao ataque. E a sorte esteve com os leões. A reviravolta, em seis minutos, saiu de lances de bola parada, primeiro num livre de Veloso e depois num penálti justo convertido por Moutinho.
O Sporting soltou-se e os golos surgiram de forma natural. Miguel Veloso bisou, num lance bem desenhado pelo ataque leonino, que aproveitou algum cansaço, visível nos homens da Caparica. Minutos depois, seria a vez de Liedson regressar aos golos, algo que não acontecia desde 18 de Outubro, precisamente num jogo da Taça de Portugal, frente ao Penafiel.
Mas, mesmo frente a um Pescadores que já mostrava cansaço e falta de soluções, os leões não foram tão superiores como se esperava, cometendo erros de marcação inaceitáveis para um grande que luta por títulos. Um deles resultou na expulsão de Tonel, por uma falta à entrada da área. O central falha, assim, o dérbi do próximo sábado, com o Benfica, colocando mais um problema a Carlos Carvalhal, que terá de lançar Carriço.
Ainda assim, os leões não acusaram a inferioridade numérica e conseguiram impor-se, muito devido à tranquilidade que advinha da vantagem no marcador. Aliás, conseguiram mesmo criar mais oportunidades de golo, mas Saleiro e Postiga revelaram-se perdulários.