Protesto da DECO terá participação da ANTRAM; impacto máximo é de 30 milhões de euros
A BP e a Cepsa fizeram esta segunda-feira a maior redução no preços dos combustíveis
de que há memória no mercado liberalizado. Galp e na Repsol ainda têm
margem de redução face às cotações internacionais, considera a ANAREC.
Após intensos protestos contra os preços dos combustíveis, face à redução da cotação do petróleo desde Julho, duas gasolineiras fizeram ontem o que será o maior ajustamento em baixa dos preços, desde que o mercado foi liberalizado, em 2004. Ainda é cedo para saber se as descidas estão para ficar, já que o petróleo voltou a aumentar.
Ao início da tarde de ontem, a BP anunciou descidas de oito cêntimos na gasolina e de quatro no gasóleo. Desta forma, abastecer com gasolina sem chumbo 95 custa agora 1,398 euros por litro. Com gasóleo, fica por 1,258 euros.
Horas mais tarde, a Cepsa suplantou a redução da marca rival: baixou a gasolina em 8,3 cêntimos e o gasóleo quatro cêntimos. Os preços desta gasolineira ficaram em 1,392 euros (gasolina 95) e 1,257 euros (gasóleo).
Ao JN, o vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), Domingos Sobreiro, admitiu não ter memória de uma descida tão abrupta nos preços finais dos combustíveis, desde que o mercado foi liberalizado. De facto, os registos da Direcção-Geral de Energia, embora médios, não contêm uma redução desta ordem.
Domingos Sobreiro explica que a redução "repõe o nível de preços que seria expectável, face à evolução da cotação internacional dos produtos refinados, tal como a ANAREC vinha defendendo". O vice-presidente da associação sustenta, por este motivo, que os preços da Galp e da Repsol, acima das concorrentes, ainda têm margem de redução.
Estas duas petrolíferas procederam a descidas de três cêntimos na gasolina e de um cêntimo no gasóleo. A Galp fê-lo no passado fim-de-semana, passando a gasolina para 1,428 euros e o gasóleo para 1,291. Fonte da empresa afirmou ao JN não estar programada, para já, qualquer descida adicional.
A redução na Repsol teve efeito a partir da meia-noite de ontem. A descida de três cêntimos fez com que a gasolina 95 passasse a custar 1,428 euros por litro. O gasóleo custa agora 1,288 euros.
As descidas da BP e da Cepsa, que colocam os preços ao nível mais baixo desde Abril, acontecem depois de fortes protestos contra as gasolineiras, por alegadamente não fazerem reflectir na totalidade a baixa do petróleo. A Associação de Defesa do Consumidor agendou um protesto para o próximo sábado, apelando aos automobilistas que não abasteçam o veículo nesse dia.
O protesto está a reunir apoios de peso. A própria ANAREC, na voz do seu vice-presidente, considera que a iniciativa de sábado servirá como um "alerta para os problemas no sector". A associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) vai apelar aos seus 4000 associados para que não abasteçam no próximo sábado.
A associação lembra que o objectivo do protesto é que as petrolíferas "façam repercutir no preço de venda ao público as reais variações dos preços das matérias-primas".
O Automóvel Club de Portugal, embora não se associe formalmente à iniciativa, lembra que todos os consumidores são livres de o fazer, já que há motivos para descontentamento. Ao que o JN apurou, outras associações empresariais estão em vias de associar-se ao protesto Deco.
Por dia, vendem-se em Portugal 18 milhões de litros de gasóleo e cinco de gasolina. Em teoria, um boicote total ao abastecimento nas bombas de gasolina teria um impacto máximo de cerca de 30 milhões de euros na facturação diária das gasolineiras, aos preços actuais. É de referir, contudo, que um boicote nestes moldes constitui apenas um adiamento das vendas das empresas, já que eventuais perdas serão recuperadas nos dias posteriores.