Entrega de carros para abate diminuiu desde Agosto, apesar dos incentivos.
Os novos incentivos ao abate de carros usados, em vigor desde Agosto, não estão a ser suficientes para pôr fim à crise no sector automóvel. A isenção de impostos durante dois anos continua a ser a reivindicação das empresas.
"A ganância de obter dinheiro de imediato por parte do Governo é que está a impedir a recuperação do sector automóvel". É assim que Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), comenta a falta de uma verdadeira inversão na venda de veículos novos. Acredita-se que 2009 feche com uma queda superior a 30% em relação ao ano passado.
Com efeito, para o presidente do ACP, os novos incentivos concedidos ao abate de veículos usados - e que se encontram em vigor desde 8 de Agosto (ver caixa) - "não vieram dar o impulso às vendas que o sector automóvel precisa e há muito reivindica".
Na realidade, de acordo com os dados oficiais, o número de veículos dados para abate este ano foi maior em Julho (3653 viaturas), tendo nos meses seguintes decrescido: 3162 veículos, em Agosto, e 2929 veículos, em Setembro.
"Se o Governo quisesse, de facto, relançar o mercado automóvel copiava o exemplo da Alemanha. As vendas naquele país subiram muito desde que se optou por isentar os veículos de impostos durante dois anos", sublinhou. Carlos Barbosa reforça a ideia da visão "gananciosa" do Governo. "Ainda não perceberam que isto é um círculo vicioso: não se vendem automóveis, então não se vende gasolina, não se cobram portagens nas auto-estradas, etc.", explicou. "Lá fora perceberam que perdem na cobrança imediata dos impostos, mas acabam por ganhar mais tarde de uma forma sustentada", salientou.
Hélder Pedro, secretário-geral da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), mostrou-se mais satisfeito com o número de veículos dados para abate em Agosto e em Setembro.
"Em termos homólogos, houve, de facto, um aumento de viaturas entregues em Agosto (+26%) e em Setembro (+22,5%), apesar da quebra nas vendas representar menos 14,8%", referiu.
Segundo Hélder Pedro, os novos incentivos ao abate de viaturas em fim de vida não têm o mesmo impacto que teriam as duas propostas apresentadas pela ACAP ao Governo e que foram recusadas. Uma delas previa a isenção de Imposto Único de Circulação durante dois anos para veículos adquiridos este ano. A outra proposta alargava a isenção de Imposto Único de Circulação ao abate de veículos para a compra de automóveis semi-novos.
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