Apoios à banca levaram à queda das taxas de juro
BRUNO AMORIM
A descida das taxas de juro na Zona Euro tem-se verificado desde há um ano. Com as medidas de combate à crise financeira, entretanto introduzidas pelo Banco Central Europeu (BCE), as taxas Euribor acabaram por ser arrastadas para mínimos históricos. Os especialistas dizem que a sua subida será inevitável nos próximos meses, mas ninguém sabe ao certo quando isso se sucederá.
O rebentar da crise económica, no final de 2008, veio a revelar um forte problema de liquidez financeira nos bancos de todo o mundo. A banca europeia não foi excepção e, em meados deste ano, o BCE viu-se forçado a tomar medidas extraordinárias que pudessem desafogar a situação dos bancos do Velho Continente.
As instituições financeiras da Zona Euro tiveram, assim, a possibilidade de contrair empréstimos de curto prazo a taxas de juro inferiores no mercado interbancário. "Com montantes ilimitados e os prazos a passarem de três meses para um ano, a banca aproveitou taxas de 1% para resolver os seus problemas", explica o economista João Loureiro.
Segundo o docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, "esta situação de pânico foi a principal razão que levou à queda das taxas de juro". Mas este cenário terá os dias contados. Algumas previsões apontam que, dentro de um ano, a taxa Euribor deverá fixar-se em torno dos 2%, o dobro da actual cotação.
Para João Loureiro, é difícil dizer que isso venha a acontecer. Contudo, "considerando que o BCE deverá eliminar as medidas extraordinárias que implementou e mesmo que não suba a taxa de juro directora, o excesso de liquidez que o mercado bancário apresenta agora vai diminuir gradualmente. E isso pode fazer com que as taxas de juro voltem a subir".
O economista acrescenta que, "com critérios mais apertados na concessão de empréstimos, em termos de montantes e prazos de pagamento, é provável que a taxa indexante venha a ter um maior alinhamento com os valores de referência do BCE".
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