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Euribor a seis meses está abaixo de 1%

Prestação da casa caiu face há um ano mas prepara-se para subir

ANA PAULA LIMA

Histórico e inédito: a Euribor a seis meses caiu ontem para 0,997%, ficando abaixo dos 1%, valor de referência do BCE. É a taxa de juro mais usada no crédito à habitação nacional e os benefícios são óbvios. Mas poderá ser sol de pouca dura.

Com esta descida vão cair as prestações mensais dos empréstimos. Esta é a boa notícia. No entanto, ao que tudo indica, as prestações só vão recuar, ou manter-se neste nível, até ao final deste ano. Daí para a frente, aconselha-se prudência, pois as previsões apontam para que daqui a 12 meses, em Novembro de 2010, a Euribor já ultrapasse os 2%.

A descida da Euribor a seis meses para menos de 1% terá um impacto significativo nas poupanças das famílias. A prestação da casa vai continuar mais baixa do que há um ano, altura em que a média da Euribor usada na revisão dos empréstimos era superior a 4%.

Em Outubro de 2008, mês em que a Euribor atingiu o seu valor mais alto, com base em simulações feitas pela "Carteira.pt", um crédito à habitação de 150 mil euros a 30 anos, com um Spread de 1% e Euribor a seis meses, correspondia a uma prestação média de 920,55 euros. Um valor que em Novembro deste ano é mais baixo em cerca de 364,84 euros, já que a prestação para o mesmo crédito ronda os 555,71 euros.

Neste momento, a folga no orçamento das famílias é atractiva mas o cenário vai ser bem distinto daqui a um ano. Se a Euribor subir até Novembro do próximo ano acima dos 2%, como o Banco Central Europeu (BCE) prevê, em Dezembro de 2010, pelo mesmo empréstimo vai pagar-se mais 76,70 euros, ou seja, a mensalidade será de 632,41 euros, segundo os cálculos da "Carteira.pt".

O pico máximo da Euribor a seis meses foi atingido a 9 de Outubro de 2008. A taxa passou, nessa altura, os 5% na sequência de um ciclo de subidas que começou em Junho de 2005. Se as revisões das prestações fossem feitas com base no máximo atingido naquele dia, uma família com um empréstimo de 150 mil euros estaria a pagar 942,98 euros pela casa, em Outubro de 2008, mais 388,78 euros do que o que pagaria a 6 de Novembro deste ano, o dia em que a Euribor a seis meses atingiu um valor mínimo, nos 0,997%.

Hipoteticamente, a prestação seria de 554,20 euros nesta altura, se a revisão fosse feita com base na taxa registada ontem e não sobre a média da Euribor a seis meses registada no mês imediatamente anterior ao da revisão, como mandam as regras.

A descida da Euribor a seis meses, para 0,997%, deu-se um dia depois de o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, ter anunciado que o banco central vai manter a taxa de juro de referência nos países da Zona Euro em 1%. O presidente do BCE passou a mensagem que esta taxa não vai sofrer alterações nos próximos meses, mas o ciclo de subidas da taxa central vai começar em meados do próximo ano.

A maior parte dos analistas esperam que Trichet só suba os juros a partir do segundo trimestre de 2010, mas quando esse movimento se iniciar não deverá parar tão cedo. Em Junho de 2008, a taxa de referência do BCE estava em 4,25% e foi sofrendo vários cortes até atingir o 1%, que se mantém há seis meses consecutivos. O que se prevê, quando o banco central decidir avançar com o aumento do preço do dinheiro, é que proceda a subidas trimestrais de 25 pontos, levando a que a taxa de juro de referência chegue ao final do próximo ano nos 1,50%.

Antes de a crise económica mundial se instalar, o BCE fazia aumentos de juros de 25 pontos, mês sim, mês não. Uma prática que deverá retomar assim que a recuperação económica se verificar.

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Comentários
2 Comentários

 
 
     
 
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09.11.2009
11:10
Portugal
QUEM LUCRA COM TUDO ISTO ? OS MESMO DE SEMPRE ! Os BANCOS ! E uns QUANTOS que CONTINUAM ! E só se algum dia aconteçer algum MILAGRE deixarão de HAVER aqueles que há custas de GANÂNCIA, GOLPES,TRUQUES BAIXOS conseguem manter e AUMENTAR as SUAS FORTUNAS mesmo quando o que os RODEIA esta em CRISE,mas se calhar muitas vezes á custa disso também !!!!!!!!!!!

 
 
 
07.11.2009
10:06
Portugal - Aveiro
É evidente,as grandes fortunas estão a recuperar dinheiro com as ajudas estatais,e agora o Zé que pague mais juros da prestação da casa,como estava antes da crise.

 
 
 



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