Trabalhadores nacionais impunes à falta de ética
CATARINA CRAVEIRO
Presidente da Associação Portuguesa de Ética Empresarial critica laxismo no cumprimento da lei.
Portugal caiu no ranking dos países menos corruptos, de 28º para 32.º. A criação de códigos de ética nas empresas e de quadros legislativos que punam trabalhadores corruptos são as receitas para inverter a situação.
A Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE) defende a criação de códigos de ética e de conduta dentro das empresas, assim como a adopção de um quadro legislativo. Tudo isto deveria, no entanto, ser feito de forma voluntária e o não cumprimento das regras por parte dos trabalhadores deveria ser punida. Medidas que iriam ajudar no combate à corrupção.
"Actualmente há apenas uma recomendação do Estado para as empresas públicas, mas não é uma obrigatoriedade", explicou em entrevista ao JN o presidente da Associação, Mário Parra da Silva. Este responsável considera que o facto de não haver uma legislação que obrigue as empresas a adoptar medidas éticas não é benéfico, até porque "quando o sector do Estado não assume as suas responsabilidades, os privados não têm incentivo para o fazer". De fora ficam, por exemplo, as empresas portuguesas cotadas na bolsa de Nova Iorque, que são obrigadas a obedecer a um código ético. Segundo a APEE, a contribuir para que a "pequena corrupção" se instale está o mau funcionamento das pequenas instituições, dos serviços públicos e das tecnologias de informação. Já a "grande corrupção" prende-se com a falta de ética dos altos cargos de gestão. Por detrás deste problema está ainda o estilo de vida da sociedade. O facto de as pessoas associarem a sua realização pessoal aos bens materiais faz com que o caminho obscuro seja o escolhido, em detrimento das vias legais.
De acordo com o relatório relativo a 2008, elaborado pela Transparência Internacional, Portugal desceu no ranking de países menos corruptos, de 28º para 32º. Os países são avaliados por um conjunto de critérios que somados vão de 0 (muito corrupto) a 10 (livre de corrupção). Portugal obteve 6,1 pontos, caindo dos anteriores 6,5. Pior do que Portugal estão países como Macau, Cabo Verde, Brasil, Angola ou Guiné-Bissau. A liderar os países mais corruptos continua a Somália. Já a Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia ocupam lugares de destaque entre os países livres de corrupção.
Parra da Silva está, no entanto, optimista e diz que Portugal já mostra sinais de que a ética está a voltar à ordem do dia, nomeadamente com as universidades a promoverem cursos de pós-graduação sobre o tema e a comunidade dos negócios a dar mais importância ao problema.
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