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Leite mais caro 14% num só ano

 

Lacticínios, matérias gordas e pão estão entre os alimentos que mais encareceram em Portugal, num ano, apesar de a UE estar a enfrentar, em média, subidas mais fortes, que reflectem a escalada internacional do preço dos combustíveis.  

Os lacticínios foram os bens alimentares que mais aumentaram de preço, em Abril, face a igual mês de 2007. Ainda assim, Portugal é o país da União Europeia a assumir o menor aumento dos preços nos alimentos. É a subida mais alta de sempre desde 1996, quando o Eurostat deu início às estatísticas sobre os países da UE. Um crescimento médio de preços de 7,1% entre os 27 enquanto que, na Zona Euro, a média da variação anual é de 6,2%. Em Portugal, a subida foi de 3,2%, a mais baixa entre os 27. Das nove classificações de bens alimentares, a do leite, queijo e ovos foi a que mais aumentou para as famílias portuguesas, 14,1%, seguida das matérias gordas (+11,1%), e do pão e cereais (+9,2%). A ordem é semelhante à dos 27. No caso português, 18% do total do rendimento das famílias é gasto na alimentação, este sim, um valor acima da média europeia, onde os 27 consomem 14,6%, e os 15 gastam 14,4%. A carne aumentou apenas 0,7% em Portugal, o menor aumento da UE, por oposição à Lituânia onde o preço subiu 19,1%. O preço do leite, queijo e ovos aumentou mais de 30% em países como Estónia (35,4%), Letónia (34,3%) e na Eslovénia (32,8%). Segundo o Eurostat, os legumes compõem a única classe de alimentos que baixou de preço, em Portugal, a descida chega aos 17%. A CE propôs na reforma da Política Agrícola Comum eliminar gradualmente as quotas do leite e o fim definitivo das áreas do descanso dos terrenos agrícolas com o intuito de aumentar a produção e fazer baixar os preços. Os especialistas atribuem o aumento dos custos dos bens alimentares à procura exponencial que chega de países em desenvolvimento, como Índia e China, onde o poder de compra está a aumentar, em paralelo com más colheitas agrícolas, uma situação que já não deve verificar-se este ano, segundo a Comissão. Para procurar soluções, esta semana, estão reunidos em Roma, os líderes mundiais, sob a alçada da FAO, numa conferência sobre Segurança Alimentar, Mudanças Climáticas e Bioenergia. Pouco antes do início do encontro, o secretário-geral da ONU, apelou para que se volte a investir na agricultura, como medida para tratar o aumento exponencial dos preços dos géneros alimentares, ou a situação poderá "causar outras crises paralelas" com "impacto devastador" à escala mundial.

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