Consumidores desmoralizados
ANA PAULA LIMA
O sentimento negativo das famílias portuguesas sobre o andamento da economia bateu no fundo. Em Julho, o indicador de confiança dos consumidores caiu para o nível mais baixo dos últimos 22 anos.
O Inquérito de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores, do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostra o desânimo dos portugueses, com descidas em quase todas as componentes do indicador de confiança (expectativas sobre a situação financeira do lar, situação económica geral do país, desemprego e poupança).
"O indicador de confiança dos consumidores prolongou a tendência descendente em Julho, registando o mínimo histórico para a série iniciada em Junho de 1986", refere o INE.
Os portugueses ressentiram-se de uma conjuntura de alta de preços da alimentação, dos combustíveis e da inflação, revelando-se muito pessimistas, sobretudo, em relação à evolução da economia e à sua situação financeira pessoal. Em baixa está, ainda, a opinião sobre o desemprego, verificando-se, apenas, uma ligeira recuperação nas expectativas de poupança.
Nas variáveis que ficam de fora do indicador de confiança dos consumidores a opinião é, também, alarmista. Os consumidores estão apreensivos sobre a evolução dos preços e a compra de bens duradouros e não fazem intenção de realizar grandes despesas com o agregado familiar, como comprar carro ou casa.
Nas empresas, o indicador de clima económico continua em baixa e, em todos os sectores (indústria, construção, comércio e serviços), a confiança está a cair para os níveis mais reduzidos desde o início deste ano.
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