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Melhor do Mundo no bluff

Campeã do Mundo de Póquer

NATACHA PALMA

Começou a jogar póquer aos 15 anos. A paixão é tal que, cinco anos depois, faz disto a sua vida. Ironia suprema: não pode jogar no país Natal. Na Noruega este famoso jogo de cartas é proibido.

Annette Obrestad sagrou-se, em 2007, campeã do Mundo de póquer ao bater 500 dos melhores jogadores da actualidade na World Series of Poker Europe, que teve lugar em Londres. Com esse feito, a norueguesa, agora com 20 anos, tornou-se, também, a mais jovem jogadora de sempre e a primeira mulher a vencer aquele campeonato em 40 anos de história. Mais: a vitória em 2007 fê-la arrecadar nem mais nem menos do que dois milhões de euros de uma assentada só e uma bracelete de ouro e diamantes, talvez o equivalente à Taça do Mundo de Futebol no que ao poker diz respeito e que a jovem diz ser a sua maior preciosidade.

E pensar que tudo começou aos 15 anos. Ao ver televisão, reparou numa publicidade a um site de póquer online. "Por mera curiosidade, fui ver do que se tratava e adorei. Desde criança que costumava jogar cartas, mas não póquer. Porém, percebi imediatamente que era aquilo que eu queria fazer. Desde aquele primeiro dia e até agora nunca mais parei. Deixei de estudar há dois anos", contou, ontem, ao JN, na sua chegada ao Casino Solverde de Espinho onde, este fim-de-semana, se disputa a 3.ª etapa do Betfair Portuguese Poker Tour. As outras etapas realizaram-se em Vilamoura e no Estoril, onde Annette esteve também presente.

Conhecida pelo nickname Annette­15, a jovem é um verdadeiro fenómeno que hoje atrai muitos fãs aos jogos. "Quando comecei, os jogadores mais velhos olhavam para mim como que a dizer que eu não passava de uma miúda e não me davam importância. Achavam que eu não percebia nada daquilo. Com o tempo e com a notoriedade que entretanto fui alcançando, essa atitude mudou completamente e agora é-me mais difícil fazer bluff porque estão bem mais atentos ao que eu faço", explicou.

Sempre de sorriso aberto, Annette Obrestad transfigura-se, porém, quando entra em jogo. Concentrada a 100%, e de óculos escuros postos, mais para poder ver as reacções dos outros à vontade, do que para esconder as suas, a norueguesa põe cara de má e torna-se impenetrável.

É que os objectivos são altos, nomeadamente ganhar pelo menos mais uma bracelete; disputar, em Londres, a Premier League do póquer; e começar, a partir do próximo ano, quando fizer 21 anos, a pisar os "palcos" dourados de Las Vegas, nos Estados Unidos da América, onde ainda não pôde jogar exactamente por ser, à luz da lei norte-americana, menor de idade.

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