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Guiné-Bissau: PGR denúncia tentativa da polícia em desarmá-lo por ordem do comissário-geral

DROGA

Bissau, 28 Jul (Lusa) - O Procurador-Geral da República (PGR) da Guiné-Bissau, Luís Manuel Cabral, denunciou hoje que elementos da Polícia de Ordem Pública (POP) tentaram desarmá-lo alegadamente a mando do Comissário-Geral da polícia.

Em declarações aos jornalistas na sede da Procuradoria, Luís Manuel Cabral explicou que, por volta das 10:00 locais (11:00 em Lisboa) de hoje, dois elementos do corpo especial da POP apareceram no seu gabinete, alegadamente com ordens do comissário-geral, para levar uma espingarda e uma pistola que o procurador tem na sua posse para defesa pessoal.

Depois de uma troca de palavras com os agentes, Luís Manuel Cabral recusou-se a entregar as armas, alegando a ilegalidade da ordem do comissário-geral da POP, contou o Procurador, que vê na medida uma "vã tentativa" de o calar.

Nos últimos dias, Luís Manuel Cabral tem estado empenhado na descoberta da verdade sobre o conteúdo da carga retirada de um dos dois aviões retidos no aeroporto de Bissau.

"É claro que esta vã tentativa de me desarmar é o reflexo da nossa acção para a descoberta da verdade sobre o material descarregado nesse avião. Uns dizem que são medicamentos, outros dizem tratar-se da droga. Se é uma forma de fazer calar o Procurador estão enganados, porque não nos vamos calar", disse Luís Manuel Cabral.

O Procurador-Geral da República guineense defendeu que "forças ocultas" estão a fazer tudo para parar as investigações sobre o conteúdo do material retirado na aeronave de matrícula venezuelana, podendo até fazer desaparecer elementos de prova.

"Não me admirava nada se, no próximo passo, tentassem vandalizar a sede da Procuradoria, como fizeram com a sede da Policia Judiciaria", em Maio passado, afirmou, aludindo aos incidentes registados na sede da PJ, em que elementos da POP abateram um agente daquela corporação que aí se encontrava detido por ter assassinado duas pessoas, entre elas um agente da Brigada de Intervenção Rápida (BIR).

"Todo o mundo sabe em que país vivemos mas, enquanto Procurador-Geral da República, estou disposto a não me calar perante a impunidade", frisou Luís Manuel Cabral, prometendo informar os representantes da comunidade internacional sobre as ameaças de que tem sido alvo.

O Procurador-Geral da República exibiu aos jornalistas uma carta do comissário-geral da polícia, coronel Gletche Na Ganha, na qual este lhe teria sugerido a troca do seu guarda-costa pessoal, alegando que aquele faltava ao serviço.

"Se o meu guarda-costa falta ao serviço quem deve estar preocupado com isso sou eu e não outra pessoa", sublinhou Luís Manuel Cabral, destacando que a medida visava "outros fins", razão pela qual a recusou.

MB.

Lusa/Fim

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