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Jornais ainda estão longe do temido fim

Representantes dos jornalistas e das empresasrecusam cenários catastrofistas ditados pela conjuntura

PEDRO OLAVO SIMÕES

Perdoe-se a verdade de La Palice, mas, se há crise generalizada, todos os sectores da economia são por ela tocados. Daí a dizer que se instalou profunda crise na Imprensa - não só portuguesa - vai alguma distância.

Para se falar em crise parte-se dos sinais. No caso dos jornais e revistas, por exemplo, quebras tremendas dos lucros do grupo Impresa, o interesse do grupo Cofina em alienar a participação que detém no semanário "Sol" ou, ainda, notícias mais ou menos vagas sobre despedimentos de jornalistas. Só que os sinais são, muitas vezes, desmontáveis. Estratégias circunstanciais (ver caixa) podem ser razões mais certeiras.

E a relação entre despedimentos e crise? "Estamos atentos aos sinais, mas não embarcamos em alarmismo", diz Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas, notando que a Imprensa "é um sector muito vulnerável às crises económicas". "Justamente por isso - nota - é que as empresas e grupos económicos devem criar condições para manter a navegação segura, tanto em mar calmo como em mar encapelado". Porque "fala-se ciclicamente da crise, como que preparando as condições para justificar o lançamento, borda fora, de jornalistas e de outros trabalhadores".

Mas nem os empresários, ou quem os representa, falam em crise. João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, nota que "os grandes grupos têm conseguido reequilibrar o seu espaço de investimento publicitário, com o lançamento de outros produtos, como os jornais gratuitos". "A associação está muito empenhada em que este momento, que é de grande preocupação, seja usado pelas empresas para pensarem que o mundo não é nem voltará a ser igual", acrescenta, para apontar suportes como a Internet como um rumo inevitável, mas salvaguardando que "não há falência do suporte papel; há é uma complementaridade do suporte digital, que até aqui era vista exclusivamente como uma complementaridade de informação, e que, neste momento, começa a ser já uma complementaridade de negócio".

Aliás, sublinha, "a Imprensa, mais do que a rádio ou a televisão, vive de vender notícias, que se baseiam na credibilidade dos seus títulos. Portanto, tudo o que um empresário fizer para defender essa credibilidade e essa transparência dos seus títulos é o mais importante que ele pode fazer". E, num quadro de concentração dos media, essa tarefa ganha outros contornos, como nota Alfredo Maia: "Insistimos no desafio de que confiram às sinergias de grupo uma dimensão social e não apenas financeira".

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