Apenas um terço das notícias resulta da iniciativa das redacções
Um estudo sobre a influência das fontes na construção do noticiário político em Portugal concluiu que "só um terço do produto jornalístico dos diários estudados é produzido por iniciativa das redacções".
"Mais de 60% das notícias analisadas resultaram da acção de indução por parte de assessores de imprensa, relações públicas, consultores de comunicação, porta-vozes e outros peritos em 'spin doctoring', ou seja, são determinadas pelas chamadas fontes sofisticadas de informação", salientou ontem, em declarações à Lusa, Vasco Ribeiro, autor da investigação que deu origem ao livro, que será lançado amanhã no Porto.
Outro dado que o autor de "Fontes sofisticadas de Infornação" destaca é "a incapacidade do consumidor das notícias de detectar a intervenção dos técnicos de comunicação".
"Isto porque só em 1,3 % do total das notícias analisadas foram identificadas fontes profissionais, facto que faz jus ao rótulo 'sombra' frequentemente colado a estes profissionais", considerou Vasco Ribeiro.
O estudo baseia-se na análise de conteúdo das secções de "Política" e "Nacional" de Correio da Manhã, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Público, nos anos 1990, 1995, 2000 e 2005. O autor analisou, no total, 5.054 notícias. Vasco Ribeiro é docente do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto e da EGP - University of Porto Business School e director de Comunicação da Universidade do Porto. Consultor de comunicação de varias empresas e instituições públicas já dirigiu a campanha de várias candidaturas políticas.
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