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Há pressões nos noticiários

Directores reconhecem que há interferências do poder político e tentativas para condicionar

ALEXANDRA MARQUES

Na conferência do 50.º aniversário do "Telejornal", ex-assessores e directores de informação falaram de ingerências políticas. E Estrela Serrano, membro da ERC, defendeu que, em certos casos, Belém ou S. Bento devem pressionar os "média".

Estrela Serrano, dez anos assessora de Mário Soares em Belém e membro da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), disse ontem ser legítimo que os políticos telefonem aos responsáveis pela informação nos "media".

Primeiro, disse que "nenhum presidente ou primeiro-ministro consegue controlar uma redacção, mas pode pressionar e deve pressionar se a notícia não for bem dada". Antes de questionar: "Qual é o problema de um assessor telefonar ao director ou ao editor por o jornalista ter dado mal uma notícia?"

Foi óbvia a ligação a notícias sobre telefonemas de assessores de Sócrates - Luís Bernardo, um deles, também convidado cancelou minutos antes. A oradora prosseguiu contando que Soares "tinha fúrias" quando tal acontecia, e dizia: "Telefona-me aí a esse malandro", convencendo-o ela a não o fazer.

Serrano advogou ainda não ser possível controlar todos os que fazem a notícia. Uma teoria subscrita pelo director de Informação da RTP: "Se alguém quer condicionar, tem de condicionar muita gente ao mesmo tempo".

Para Joaquim Letria, há muito que "o Telejornal depende do Governo do dia". "Este exerce pressão sobre a estação estatal, sobre quem nomeou e que tutela", referiu o ex-assessor de Ramalho Eanes. Júlio Magalhães, agora director de Informação da TVI, disse que, quando estava na RTP, sabia de antemão quem seria editor e director, caso ganhasse o PS ou o PSD.

Incomodado José Alberto Carvalho com a "litigância e a desconfiança" do espectador com a RTP ao nível político-partidário, uma "nuvem" constante, Magalhães respondeu: "Essa nuvem não vem dos espectadores nem dos concorrentes, mas do poder político e dos grupos económicos que exercem os mesmos condicionamentos e pressões". Letria já tinha dito: "Há formas muito mais poderosas e eficazes de controlar as televisões: cruzamento de interesses, favores, favorecimentos e dificultações de negócios". Luís Marques, ex-administrador da RTP, agora da SIC, resumiu não se tratar de "fazer fretes", mas da relação da RTP com o poder que a tutela e que colide com o que deve ser o jornalismo.

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Comentários
9 Comentários

 
 
     
 
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21.10.2009
07:18
Portugal - Porto
É completa/ vergonhoso o k foi assumido afirmado e confirmado sobre a pressão na RTP e nos "media" em geral pelo(s) governo(s).Afinal a Entidade Reguladora da Comunicação Social(ERC)nao serve para nada,e este País é uma farsa completa!Logo HA ASFIXIA,HA CORRUPÇAO NOS PASQUINS,HOUVE PRESSAO POLITICA SOBRE TVI,e este Governo e PM usa tacticas DITATORIAIS de controle e amordaçamentos da carneirada!

 
 
 
20.10.2009
18:21
Portugal - Porto
Parece incrível como o membro da ERC expõe o assunto.Para k serve tal Organismo, com esta filosofia?

 
 
 
20.10.2009
15:08
Portugal - Castelo Branco
PORTUGAL CAI PARA 14ºLUGAR ,MAS HAVERA ALGUMA COISA EM QUE PORTUGAL NAO CAIA

 
 
 
20.10.2009
12:07
Portugal
RTP: Governo em função; SIC: PSD; TVI: CDS; São exemplos, claro que com uns trocos dos grupos de interesse a financiar o que realmente (lhes) interessa.

 
 
 
20.10.2009
11:26
Portugal - Braga
"Qual é o problema de um assessor telefonar ao director ou ao editor por o jornalista ter dado mal uma notícia?" Eu, pessoalmente, não vejo mal nenum.. até porque se a noticia foi mal dada, deverá ser corrigida! O problema surge quando se pressiona para não noticiar, para esconder, para aldrabar!! Aí sim, temos problemas!!

 
 
 
20.10.2009
10:35
Portugal - Lisboa
Pior que a pressão do poder político e do poder económico, é a pré-disposição de alguns Directores, Editores e Jornalistas, para a submissão. Chega a ser confrangedora... Como diria o Octávio, todos sabem do que eu estou a falar...

 
 
 
20.10.2009
10:18
Portugal - Lisboa
O critério deveria ser a competência, isenção e seriedade dos jornalistas. Sai uma notícia que propositadamente o cidadão não percebe, fica a nebulosa, que é o que pode interessar a quem dá a notícia, e a quem se refere a notícia não pode exigir que a notícia seja dada com clareza e com a verdade? Essa agora!Por isso o cidadão escolhe o jornal e a TV que lhe dá mais garantias de verdade .

 
 
 
20.10.2009
00:48
Portugal - Lisboa
Por isso é que o jornal de sexta-feira da TVI foi suspenso...Grande novidade...

 
 
 
20.10.2009
00:29
United Kingdom
E as pressões no trabalhador pagante votante? lol

 
 
 




 

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