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"Beleza abre portas e parvo é quem não as aproveita"

Actriz veste agora a pele de apresentadora. Conta que resistiu em aceitar o convite para "Ídolos", pois não queria ser "uma faz tudo" da SIC. Gosta da televisão "para representar e não para aparecer"

ELSA PEREIRA

Tudo ou quase tudo na sua vida foi fortuito. É a própria quem o admite. E depois de "ter andado à deriva", Cláudia Veira encontrou o seu rumo.

Cláudia Veira não é apologista de linhas rectas no seu percurso. Prova disso é a curva que entretanto se interpôs na sua carreira, conduzindo-a até à apresentação de "Ídolos", na SIC.

 
foto Bruno Simões Castanheira/JN
"Beleza abre portas e parvo é quem não as aproveita"
 

Em pouco tempo, subiu ao palco com "Saia curta e consequências" e experimentou cinema através dos filmes "Contacto" e "Second life". Auto-crítica, algo tímida, insegura, comunicativa, persistente e autónoma, é como se descreve aquela que assumiu há uns dias a sua gravidez.

A sua carreira tem sido ascendente.

Felizmente. Foi com muito empenho e sorte, além da ajuda que sempre colhi. Estudei Desporto e imaginava-me uma futura professora de Educação Física. Tudo na minha vida foi surgindo por acaso. Mesmo a moda. Nunca tracei objectivos. As oportunidades foram surgindo e eu agarro-as.

Sente-se bafejada pela sorte?

Há pessoas que não gostam de falar em questão de sorte. Mas eu, não. Desde que depois haja empenho e paixão naquilo que se faz.

Como começou na televisão?

Nunca me tinha passado pela cabeça ser actriz. Na altura, já fazia alguns trabalhos como modelo para a L'Agence. Tinha muito à-vontade com as câmaras. A agência sugeriu que fizesse o "casting" para a segunda época de "Morangos com açúcar". Achava que era monótono e adiei. Mas como fizera alguns "workshops" de representação de suporte para a publicidade, acabei por concordar.

O agente tem uma função preponderante na carreira de um actor?

Sou dona da minha vida e acho que conseguiria tomar as decisões sozinha, até porque analiso sempre tudo. Porém, é fundamental a nível de agenda, organização. Não é uma "baby sitter", mas facilita-me a vida ter alguém que me oriente a nível das escolhas.

Foi complicada a adaptação à série?

Como sempre tive um sentido de responsabilidade muito grande, o que tinha em mente era não fazer má figura. Sugava as aprendizagens através dos meus colegas.

Desmistificou depois a ideia que tinha da representação…

Sim. Percebi que a monotonia não cabia ali. Todos os dias era um desafio diferente. Um actor é um eterno insatisfeito, porque anda constantemente a testar se é capaz de se superar a si próprio. Representar é fazer de conta, imprimindo verdade ao que se faz.

A sua imagem foi preponderante?

Não tenho qualquer preconceito em assumir que sim. As portas foram-me abertas pela minha imagem. Até porque o "casting" para os "Morangos" não me correu bem. Apesar de na série a minha personagem ser "Maria-rapaz".

Hoje é vista como "sex symbol". Como lida com a exposição do corpo?

É um facto. Julgo que isso tem mais a ver com a campanha da Triumph. Tenho bastante cuidado com a exposição. Tive problemas em avançar com a produção para uma revista masculina, mas precisava de material mais sensual para a carreira. A Triumph era algo com que me identificava.

Impõe limites de razoabilidade?

Sem dúvida. Contesto sempre a necessidade de haver exposição.

Ponderaria um convite para pousar para a "Playboy"?

Sei que o meu nome já foi falado. Mas não me revejo no conceito. Embora também tenha adoptado o lema: "Nunca digas nunca". Não tenho nada contra fotografias de mulheres despidas.

Sente-se injustiçada por quem menospreza o seu talento por ser bonita?

Nunca me senti injustiçada. A verdade é que a beleza abre portas e parvo é quem não as aproveita. A partir daí, há que aprimorar técnicas. Provar valor. Nunca contactei com ninguém que me tratasse como apenas um corpo.

Cresceu na TVI e entretanto aceitou o convite para a SIC. O que pesou?

Não foi uma decisão tomada de ânimo leve, até porque não tinha motivos para sair. Tinha óptimas relações com a TVI. A verdade é que na altura não tinha contrato de exclusividade e surgiram duas propostas: para continuar, ou para sair. Houve cláusulas contratuais que pesaram mais para a SIC.

Já se sente em casa em Carnaxide?

Sim. Sinto-me lá muito bem. Deram-me logo um papel muito forte e com bastante complexidade dramática em "Podia acabar o mundo" e agora, este segundo projecto, foi algo de muito inesperado. Houve uma resistência inicial, pois não queria ser uma "faz tudo". Gosto muito da televisão não para aparecer, mas para representar. Mas quando me "caiu a ficha" e pensei no programa que era, aceitei sem reticências.

As galas são o que a assusta mais?

No início tudo me metia medo. Agora que a fase dos "castings" está concluída, tenho um pouco de receio dos directos das galas. Contudo, ainda não estou nervosa ou demasiado ansiosa com isso.

Como descreve esta experiência?

"Ídolos" é uma mistura entre entretenimento bem-disposto e emoções à flor da pele. Tem sido óptimo o contacto com os concorrentes e sinto que a dupla com o João Manzarra funciona bem. Gradualmente fomo-nos moldando um ao outro. Ali os protagonistas não somos nós, não é o júri, mas os candidatos do programa.

É uma receita infalível?

Não diria infalível, mas surpreender-me-ia muito se não tivesse êxito. No fundo respiram-se histórias de vida. E essa envolvência, a entrega total em função do seu sonho, agarra o espectador.

Já tem algum favorito?

Não devia dizer isto, mas tenho os meus favoritos e confesso que fiquei chateada com algumas saídas. Neste momento, já estão escolhidos os 15 finalistas.

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1 Comentário

 
 
     
 
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01.11.2009
15:10
United Kingdom
Uma laranja tão grande e com tão pouco sumo...

 
 
 


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