Jornalistas do "Primeiro de Janeiro" despedidos
FERNANDO BASTO
Os 32 jornalistas do jornal "Primeiro de Janeiro" viram, ontem à tarde, confirmada a sua situação de desemprego. Contudo, a Inspecção-Geral do Trabalho considerou ilegal o despedimento colectivo.
Só a meio da tarde de ontem, os redactores do "Janeiro" tiveram conhecimento do teor das cartas de despedimento que irão receber, em casa, na próxima semana. Na missiva, a Administração alega não um processo de insolvência como inicialmente lhes havia sido comunicado verbalmente, mas apenas a necessidade de reduzir postos de trabalho dada a situação financeira débil da empresa.
Desta forma, não será possível accionar o fundo de garantia salarial, como havia sido garantido aos jornalistas, em caso de insolvência. Segundo fonte da redacção, na missiva a Administração não menciona qualquer prazo para o pagamento dos direitos e salários em atraso.
Certos de que o seu futuro será o desemprego, os jornalistas continuam, contudo, sem saber o que irá acontecer ao jornal. Em editorial, na sua edição de ontem, a directora despedia-se dos leitores com um "Até para a semana", apesar de ter garantido aos redactores que o projecto apenas ressurgiria em Setembro. Nassalete Miranda prometia uma paragem das edições por "uns dias" para "ressurgir mais forte, com novo grafismo, com nova dinâmica".
Como, quando e com que jornalistas irá, então, surgir o novo "Janeiro"? Esta é a dúvida para a qual o JN não encontrou respostas junto da Direcção e da Administração do jornal, que se recusaram a prestar declarações.
Assim, restam as especulações. Diz-se que já na próxima semana, o jornal voltará à praça, mas desta feita sob a forma de um gratuito. Na sua elaboração poderão estar os jornalistas que trabalham para o Norte Desportivo, outra publicação pertença também da Sedico - Serviços de Edição e Comunicação, com instalações em edifício contíguo ao "Janeiro".
Segundo o JN apurou, o projecto gráfico do novo jornal terá já sido apresentado à equipa comercial e poderá surgir segunda-feira. Ontem de manhã, os jornalistas compareceram nos seus postos de trabalho, muito embora os computadores estivessem bloqueados e os telefones desligados. A meio da manhã, receberam a visita de inspectores da IGT. Estes, à saída, confirmaram tratar-se de um processo de despedimento colectivo ilegal, razão pela qual a empresa proprietária do título vai ser autoada.
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