"Rua Sésamo" com novo site
Bonecos da série norte-americana, que já arrecadou 116 Emmys, estão expostos no museu Smithsonian nos EUA
ELSA PEREIRA
Há quase 40 anos em exibição nos Estados Unidos, a "Rua Sésamo"precisa de se actualizar. Um site remodelado vem servir esse propósito aos bonecos que batem o recorde de Emmys e até têm direito a estar num museu.
Quem não se recorda da mítica série com uma forte componente didática que marcou várias gerações? O Ecas, o Becas, o Gualter, ou o Monstro das Bolachas certamente povoam o imaginário de muitos adolescentes e até adultos em terras lusas, uma vez que a "Rua Sésamo" por cá se estreou em 1989 e permaneceu no ar cerca de oito anos. A versão original, assinada por Jim Henson, é norte-americana e inaugurou-se em 1969, granjeando o feito de sobreviver ao advento do progresso e vertiginoso aparato tecnológico, pelo que continua a brindar os petizes com divertida pedagogia.
Porém, recorrendo ao adágio, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e nesta medida há que embarcar no primado da internet e apostar num site em conformidade com os anseios modernos. Posto isto, a Sesame Workshop, empresa adstrita à série, lança hoje um site totalmente reformulado e ajustado aos mais pequenos, por forma a preencher as suas necessidades e a responder às solicitações dos pais. Desenvolvido ao longo de dois anos e resultante de um investimento de 14 milhões de dólares, sesamestreet.org está operacional.
Há grandes expectativas relativamente à adesão à nova ferramenta. Cerca do dobro dos actuais utilizadores é um dos objectivos a atingir, o que representa 1,5 milhões de pessoas por dia a visitar o endereço online. Tal como o programa televisivo o site baseou-se numa minuciosa pesquisa, envolvendo 100 crianças de diversas faixas etárias e de vários níveis sócioeconómicos, de Nova Iorque.
Um pormenor curioso é que uma vez o software activo é tecnnicamente difícil para os mais novos navegar fora do site, sendo que, teoricamente, os pais podem deixá-los sozinhos em frente ao computador, sem preocupações face a um acidental acesso a conteúdos impróprios. Dinâmico, colorido e com um design simples. Assim se adivinha o site que contempla 3 mil vídeos e 400 jogos. Promete, desta feita, ser aprazível e cumprir a meta de cativar.
Trinta e sete temporadas e mais de 4150 episódios depois, "Rua Sésamo" é imbatível no que concerne a arrecadar galardões, contabilizando já 116 Emmys diurnos. Como se não bastasse os seus bonecos têm honras de figurar no consagardo museu Smithsonian em Washington que é tão só a galeria artística do instituto cultural mais amplo dos Estados Unidos.
Mas por cá faria sentido prosseguir com esta série de culto? Segundo Teresa Paixão, responsável pela área de animação da RTP2 "A 'Rua Sésamo' está na génese de todos os programas do género que se têm feito em Portugal", nomeadamente "Jardim da Celeste" e mais recentemente "Ilha das cores", e nessa medida conserva um certo pendor imortal. Todavia, repor a série está fora de questão. "As coisas têm a sua época", responde e acrescenta: "É demasiado antiquada para a altura que vivemos", reportando-se à versão lusa da série.
Em seu entender, a chave do sucesso residiu na "portugalidade" veiculada. Porém, lembra que teve tal impacto, pois à data "só havia uma estação". Os mais saudosistas terão de se contentar com "Abre-te sésamo" transmitida pela RTP2, que no fundo vai repescar imagens de arquivo norte-americanas condensando-as num compacto. Não há, contudo, interacção com humanos. O Ferrão e o Poupas terão de ficar confinados ao espaço da memória.
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