“Guiné-Bissau não é um narco-Estado”
A ministra da Justiça guineense, Carmelita Pires, recusou que a Guiné-Bissau se tenha tornado num narco-Estado e afirmou que o problema do tráfico de drogas é comum a todos os países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.
Carmelita Pires encontra-se na Cidade da Praia a participar no encontro internacional sobre o tráfico de droga organizado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que reúne os 15 ministros da Justiça e Administração Interna da sub-região africana.
"Isso (narco-Estado) não corresponde minimamente à verdade. É toda a África Ocidental que está a ser atacada. É um ataque que vem da produção da cocaína na América Latina e com destino à Europa. Nós temos tomado as medidas e temos o apoio das instituições como a ONUDC. Sem dúvida que temos vulnerabilidades, mas toda a África Ocidental está vulnerável a este ataque da cocaína", afirmou.
Carmelita Pires disse ainda não ter conhecimento do uso de dinheiro do narcotráfico na campanha para as eleições na Guiné-Bissau de 16 de Novembro, mas garantiu que as instituições judiciais estão a trabalhar para evitar o uso de dinheiro ilícito no pleito eleitoral.
"Nós alertamos que em qualquer parte do mundo os narcotraficantes terão sempre tendência em tentar adulterar o poder político, mas temos esperança que isto não irá acontecer e estamos a trabalhar para que isso não aconteça", explicou.
Carmelita Pires disse ainda que deverá ser concluído em breve o processo referente ao avião venezuelano apreendido no aeroporto de Bissau a 17 de Julho deste ano, por suspeita de transporte de cocaína.
O avião, um Fokker com matrícula venezuelana, ficou inicialmente à guarda da Força Aérea guineense, tendo já sido entregue ao Ministério Público. Juntamente com a apreensão do avião foram detidos dois venezuelanos, o piloto e co-piloto do aparelho.
O piloto do aparelho, Guerra Carmelo Vasquez, alvo de um mandado de captura internacional por tráfico de droga no México, fugiu da Guiné-Bissau após ter sido libertado por um juiz de instrução criminal e posteriormente foi detido no Mali.
Suspeita-se que o avião ia carregado com cocaína, mas também se afirmou na altura que a carga era de medicamentos. Carmelita Pires disse que não foram encontrados medicamentos no avião, mas acrescentou que não está provado que houvesse cocaína.
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