A presença de muitas famílias, com carrinhos de bebé e crianças, destacam-se entre os milhares de pessoas que estão concentradas no centro de Madrid, protestando contra a proposta de reforma da lei do aborto.
Com bandeiras, cartazes e t-shirts com o lema do protesto – "Cada vida importa", os manifestantes começaram a caminhar a partir da Calle Alcalá, uma das principais do centro da cidade.
A encabeçar o protesto há duas faixas gigantes com as frases "pela vida, a mulher e a maternidade" e "Cada vida importa", que são transportadas pelos responsáveis das organizações que convocaram o protesto.
Oficialmente não há cartazes nem símbolos políticos mas na cabeça do protesto são visíveis as presenças de sacerdotes, religiosos e líderes do Partido Popular (PP), incluindo o ex-primeiro-ministro espanhol, José María Aznar e a secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal.
O destino é a Porta de Alcalá onde os organizadores do protesto têm instalado um palco onde serão lidas mensagens contra a proposta de reforma, que o Governo deverá levar em breve ao Parlamento.
Milhares de pessoas viajaram de vários pontos de Espanha em centenas de autocarros da organização para se juntarem aos manifestantes em Madrid.
Além dos manifestantes que marcham, no centro da rua, milhares de outras pessoas estão nos passeios a saudar o protesto.
Um pouco antes do início do protesto cerca de uma centena de jovens da Associação Direitos e Liberdades, concentraram-se em frente ao Ministério da Igualdade para organizar uma "assobiadela colectiva" contra a ministra Bibiana Aído e como contestação à nova lei do aborto.
"Queremos que a ministra ouça a nossa reivindicação e retire este projecto de lei que quer o aborto livre em Espanha", disse à Lusa um dos elementos do grupo.
Com gritos de "Assassinos, assassinos, assassinos" e "Que Bibiana deixe as crianças viver", os jovens somaram-se depois aos restantes manifestantes.
Para garantir a maior cobertura mediática possível os organizadores estão a distribuir em directo imagens do protesto para todas as televisões, com canais conservadores e próximos à Igreja, como o Intereconomia, a fazem emissões especiais.
Os organizadores da manifestação, que terminará com um concerto, imprimiram mais de 100 mil cartazes, 800 folhetos informativos, 20 mil t-shirts e cinco mil bandeiras que distribuíram pelos manifestantes.
Um sistema sonoro de mais de 300 mil watts, ecrãs gigantes e várias câmaras a filmar todo o protesto foram igualmente instaladas pelos organizadores.
O orçamento estimado da manifestação de hoje ascende a 130 mil euros.
Mais de 1.500 voluntários ajudaram a organizar a manifestação que terá a cobertura de mais de 300 jornalistas de Espanha e do estrangeiro, incluindo de Portugal.
Jornalistas e várias personalidades públicas espanholas subirão ao palco instalado na Porta de Alcalá para ler os manifestos das 40 organizações nacionais espanholas que apoiam o protesto de hoje.