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Igreja multada por despedir professora que vivia com um companheiro

Um tribunal espanhol condenou hoje o Arcebispado do arquipélago das Canárias a indemnizar com 210 mil euros uma professora que tinha sido despedida por viver com um homem com quem não estava casada.

A decisão acusa o arcebispado de violar os direitos constitucionais à intimidade da professora, Carmen Galayo, condenando também o Ministério da Educação que obriga a re-contratar a docente,

O caso remonta a 2000, quando o responsável de ensino da diocese canária, Hipólito Cabrera, confirmou à docente que o seu contrato não seria renovado por manter uma relação afectiva com um homem que não era o seu marido, de quem se havia separado previamente.

Desde aí a professora nunca foi readmitida, apesar do Tribunal Superior de Justiça das Canárias ter ditado em 2007 a "radical nulidade" da decisão de não renovar a contratação.

Na decisão hoje conhecida, o tribunal considera que a decisão da diocese de não renovar o contrato da professora "constitui uma acção de represália ou vingança" por ter inicialmente levado o caso à justiça

Como tal, a diocese terá agora de pagar uma compensação correspondente aos salários que deixou de receber desde 2001, acrescida de danos morais pelo "impacto social, humano e laboral" que a decisão teve na sua vida.

"Esperemos que a partir de agora o Estado e a Igreja respeitem a Constituição", disse um porta-voz da Confederação Canária de Trabalhadores.

O sindicato critica ainda "a cumplicidade da administração pública com a hierarquia da Igreja Católica" em vez de "defender os seus funcionários".

"O pior é a má imagem do Ministério de Educação, que é o verdadeiro empregador. Esperemos que tanto o Estado como a Igreja passem agora a respeitar a Constituição, acima dos seus acordos mútuos", disse.

A decisão de hoje do Tribunal Canário surge depois de uma polémica decisão do Tribunal Constitucional espanhol que em 2007 deliberou que o despedimento não violava a constituição.

O Constitucional considerou na altura que "cabe às confissões (religiosas) a competência para julgar a idoneidade das pessoas que leccionam", afirmando não haver inconstitucionalidade.

O TC considera por isso não haver inconstitucionalidade no Acordo sobre Ensino e Assuntos Culturais que o governo espanhol assinou com a Santa Sé em 1979 e com base no qual o contrato da docente não foi renovado.

Esta decisão foi amplamente criticada por associações de professores e organizações laicas que a consideraram "grave" e demonstrativa da "ignorância" do TC sobre a realidade dos professores de religião.

Nessa altura a professora manifestou-se indignada com a decisão, que considerou "incompreensível".

"Parece que voltamos à época da Inquisição. Se te separas do teu marido, se bebes uns copos, se tens um filho solteira ou se te juntas a um sindicato, retiraram-te a idoneidade", afirmou.

A docente lembrou que o seu contrato para ensinar tinha sido assinado com o Estado, que é laico, e que os seus salários eram pagos pela administração pública e não pela Igreja.

"Não sou cura, nem freira, nem fiz voto de castidade. Aos padres pedófilos, não os afastam e deixam que continuem a dar aulas de religião", disse.

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Comentários
18 Comentários

 
 
     
 
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03.11.2009
22:10
Tokelau
O Saramago tem razao ou nao ?

 
 
 
03.11.2009
21:19
Portugal - Braga
ai juvenal juvenal... Justificar o injustificável.. Pior cego só mesmo aquele que não quer ver, enfim, é assim que a igreja tem seguidores :(

 
 
 
03.11.2009
16:24
Portugal - Lisboa
"uma professora que tinha sido despedida por viver com um homem com quem não estava casada." LEIA COM ATENÇÃO FOI DESPEDIDA... Antes de comentar Sr juvenalcavaleiro leia com os olhos bem abertos e não diga barbaridades...

 
 
 
03.11.2009
16:16
Portugal - Porto
ha_cada_coisa. Com a vida privada de cada um ninguém tem nada. Era só o que faltava. A minha dúvida é:se eu tiver um empregado com contrato a termo(prazo) e não o quiser renovar; com a devida antecedência comunico-lhe o facto.Não tenho que lhe dizer os motivos da não renovação. De certeza que foi isso que se passou c/ a srª. Ela aproveitou a sua situação particular, para sua defesa.

 
 
 
03.11.2009
16:01
Portugal - Porto
Que pena,só temos um Saramago e muitos imbecis!!!

 
 
 
03.11.2009
15:59
Portugal - Lisboa
A Família Vaticano procura por todos os meios conquistar o poder que está a perder a olhos vistos! A humanidade só se emancipa quando se libertar das religiões e dos improduticvos parasitas que as usam para a escravizar e dela se alimentar.

 
 
 
03.11.2009
15:57
Portugal - Aveiro
CÁ ESTÁ A SANTA INQUISIÇÃO A MOSTRAR SERVIÇO.É POR ISTO E POR MUITO MAIS QUE A IGREJA SÓ TEM A PERDER.

 
 
 
03.11.2009
15:28
Portugal - Aveiro
Os maus costumes são tão recorrentes na religião que ninguém acha polémico, muito menos os "religiosos". A inteligência é inimiga da ignorância por isso é que é polémico dizer verdades sobre a religião.

 
 
 
03.11.2009
15:07
Portugal - Braga
Sinceramente...Mas onde é que nós estamos?Mas uma professora, ou qualquer outra profissão exige, que se indique pormenores da vida pessoal? enquanto a igreja meter o bedelho em tudo o mundo não avança.

 
 
 
03.11.2009
14:43
Portugal
a condenação!Até porque,como a própria diz,quem lhe paga é a administração pública e não a igreja!Penso eu (admitindo que posso cair em erro...) que na Europa nenhum estado está "preso" a uma religião!Nem Itália,onde se situa o Vaticano,por exemplo.Já para não falar que discriminação é condenável pela Constituição de qualquer País Europeu,mas, mais uma vez,posso estar a errar no que digo!

 
 
 
03.11.2009
14:38
Portugal
Caro juvenalcavaleiro,não me parece que a condenação se devesse à não renovação do contrato,mas sim à razão que estupidamente deram!É o mesmo que dizer "não lhe posso renovar o contrato porque é negro!" ou porque é homossexual,ou cigano,ou verde,ou amarelo,ou portador de deficiência ou grávida... Ou seja,tratou-se de discriminação!Daí a indignação da Sra e daí

 
 
 
03.11.2009
12:58
Portugal - Porto
Se a Srª tinha um contrato de trabalho e ele não foi renovado, onde está o problema? Aqui reside a minha dúvida, o resto é supérfulo. Será que a Lei espanhola obriga a justificar a não renovação de um contrato? Só se for.Mas para iso dispensava-se os contratos. Se não se podem denunciar...

 
 
 
03.11.2009
12:32
Portugal - Porto
Cá, as professores de Moral não podem viver amantizadas nem divorciarem-se, senão os pedófilos dos padres que regem a cadeira correm com elas. Se a família e filhos é tão importante, os padres que dêem o exemplo!

 
 
 
03.11.2009
11:42
United Kingdom
Comeco a entender porque o ateu Nobel foi viver para Lazarote. Alem de pagar muito menos impostos do que se vivesse no Continente o meio social e-lhe favoravel. Por mero acaso -ou talvez nao- os Tribunais Espanhois sao mais lestos que os Portugueses. Se isto aqui sucedesse -e nao sucederia- seria irrelevante!!! JamCintOtario/UK

 
 
 
03.11.2009
11:40
Portugal - Porto
"Não sou cura, nem freira, nem fiz voto de castidade. Aos padres pedófilos, não os afastam e deixam que continuem a dar aulas de religião" e completo dizendo que ha padres que com um arsenal de armas em casa continuam a dar a missa todos os domingos. serao bons ou maus costumes?

 
 
 
03.11.2009
11:32
Portugal - Porto
Há aberrações que nem imaginam que o são quando fazem comentários...

 
 
 
03.11.2009
11:12
Portugal - Porto
Há aberrações em todo o lado. O Saramago é outro exemplo. Até vive nestas ilhas!

 
 
 
03.11.2009
10:33
Portugal
Depois o Saramago é que é um sacana... raios partam...

 
 
 


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