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Escolas continuam a separar os maus dos bons alunos

Lei proibe discriminação na formação de turmas. Confap contesta "silêncio" dos professores

ALEXANDRA INÁCIO

E se os "maus alunos" forem arrumados numa turma para não perturbarem os "bons"? A Confap refere e lamenta um rol de denúncias "anónimas" e os sindicatos dizem que os casos resultam das condições de trabalho dos docentes.

Desde ontem e até segunda-feira mais de milhão e meio de alunos regressam ou iniciam a sua vida escolar. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, reafirmou, ontem, a convicção de que todas as escolas do país, do pré-escolar ao secundário, estarão a funcionar dentro desse prazo.

Neste reinicio de novo ano, o Governo destacou a melhoria dos resultados escolares, o reforço da acção social escolar e do Plano Tecnológico. Ao JN, no entanto, chegaram denúncias que pintam um lado mais negro no ensino. Pais de um aluno do 3.º ano da escola EB1 dos Combatentes, em Ovar, transferiram o seu filho para um colégio privado por discordarem da constituição de turmas definida pela direcção do agrupamento a que pertence aquele estabelecimento. Paulo Gomes e Cristina Lopes acusam o Conselho Executivo de agruparem os alunos com dificuldades educativas numa turma e, assim, de os discriminarem (ver ao lado).

De acordo com a legislação em vigor - alterada em 2007 já pela equipa de Maria de Lurdes Rodrigues - as escolas não podem constituir turmas "apenas com alunos em situação de retenção, devendo ser respeitada, em cada turma, a heterogeneidade do público escolar".

O problema é que a constituição de turmas tem muitas variáveis e as escolas têm dificuldade de cumprir as recomendações da lei, reconheceu ao JN um professor do 2º ciclo. Nuno Domingos não acredita que haja no país um Conselho Executivo que de forma deliberada discrimine um grupo de alunos, no entanto, admite que, por vezes, "se fazem cedências às pressões dos pais".

Albino Almeida confirmou ao JN que à Condeferação de Associaçãoes de Pais (Confap) chegam regularmente denúncias sobre a formação de turmas feita em moldes discriminatórios. O problema, precisou, é que "todas as denúncias são anónimas e feitas por fax cujos números de origem são apagados".

Revoltado, o presidente da Confap insurgiu-se contra o "silêncio cúmplice" dos que conhecem uma ilegalidade e não a denunciam - É que tratando-se de denúncias anónimas a Confap "nada pode fazer", alega. Ainda por cima, insiste, no terreno os membros da Confap "nada detectam".

"Não posso acreditar que haja professores que conheçam ou compactuem com situações ilegais e não as denunciem. É de uma cobardia inaceitável", defendeu Albino Almeida. O presidente da Confap condena a constituição de turmas que separa bons e maus alunos. "A escola deve ser feita com todos e para todos. Ficarei muito triste se se confirmar que há pais que patrocinam este tipo de situações", concluiu.

O secretário-geral da Fenprof acredita que esse princípio que suporta o conceito de escola inclusiva é respeitado, de forma generalizada, pelas escolas e que essa tendência separatista tem vindo a diluir-se na última década. A confirmar-se casos pontuais, defendeu ontem, ao JN, Mário Nogueira, "não têm origem elitista", mas sim resultado das condições de trabalho dos professores.

Para um professor, reconheceu, "é mais fácil trabalhar com um grupo homogéneo do que heterogéneo. O docente não tem que fazer diferenciação pedagógica - isto é, adaptar métodos de ensino e conteúdos programáticos aos diferentes ritmos de cada aluno dentro da mesma turma".

O líder da Fenprof defende e acredita no trabalho docente com grupos heterogéneos. No entanto, reconhece, esse trabalho "exige uma relação individualizada com os alunos que é exequível em grupos de 15 a 20 estudantes, mas extremamente difícil nos de 25 a 30", que é o número de alunos médio por turma.

Já o secretário-geral da FNE desvaloriza as denúncias dos pais. Os órgãos de gestão das escolas "têm de tomar opções pedagógicas para as quais não há resposta nos manuais científicos". Cada estabelecimento, sublinha, tem de olhar para o seu universo e definir uma solução, muitas vezes, limitada pelas condições técnicas e materiais de cada escola.

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Comentários
8 Comentários

 
 
     
 
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11.09.2008
18:09
Portugal - Porto
Tanta asneira de pessoas que falam do que não sabem....Em primeiro lugar as denúncias são anónimas e de pouca credibilidade;segundo é preciso saber distinguir os alunos com dificuldades de aprendizagem e os que têm problemas de educação e mau comportamento.Aos primeiros é necessária mais paciência, acompanhamento individual e rítimo eventualmente mais lento, enquanto aos outros é necessário em primeiro lugar impedir que não perturbem quem quer aprender e segundo serem sujeitos a complementos de educação que na maior parte dos casos deveria ser dada pelos pais...

 
 
 
11.09.2008
16:39
Portugal - Setúbal
A velha mas actual história do velho, do rapaz e do burro em versão adaptada à Educacão! Se existem turmas com bons alunos na escola pública, é pk são filhos de professores! Se os alunos com necessidades educativas são inseridos nas turmas, querem que os mesmos apesar das dificuldades, tenham boas notas tal qual os outros! Se o Ministério dá directrizes para se criarem turmas de percurso alternativo´, é pk juntam os menos dotados e há segregação por parte dos professores!! Afinal, como já se sabe, é difícil agradar a todos (nem na pp casa isso se consegue, pk nem sempre a sopa agrada a todos) quanto mais em Educação, onde todos querem mandar e todos são professores! Sim...pk qd se trata de educação e de escolas, todos sabem . Só tenho uma questão...como é possível haver cada vez mais crianças sem regras..sabendo de antemão que antes de chegarem à escola ...já passaram um bom pedaço de tempo com a família ?!?!?

 
 
 
11.09.2008
15:33
United Kingdom
Decididamente nao existem bons e maus alunos...apenas alunos com melhor ou pior capacidade de aprendizagem. Alias, utilizando o conceito do falecido Padre Americo, nao existem maus rapazes... Penso mesmo que e importante integrar em turmas normais, todo o tipo de jovens, pois so assim os mais novos e com capacidade educacional podem aprender o que e verdadeiramente errado comecando a escola da vida na escola de ensino. Em contrapartida este tipo de educacao obriga a uma maior acuidade em casa, exigindo mais apoio paternal, o que muitas vezes vem contrariar as opcoes de vida familiar dos encarregados de educacao. Finalmente aceito piamente que, nos dias que correm, e cada vez mais dificil educar, e que cada caso, e um caso... Jorge Miguel, Londres, 11 de Setembro de 2008

 
 
 
11.09.2008
11:44
Portugal - Porto
o curioso é que as denúncias são feitas por pais e encarregados de educação que querem os seus meninos noutras turmas...então pergunto: isto não é pressionar? eu estive sempre em turmas más e daí não resultou nenhum determinismo sócio-profissional. há muitos factores que influenciam o sucesso na prendizagem para além da composição de uma turma. e , para concluir, no ensino público a tendência é para turmas de baixos resultados... e não é à toa que as matrículas no privado aumentam, assim como o número de autorizações de paralelismo pedagógico.

 
 
 
11.09.2008
10:18
Portugal - Porto
Como em todas as profissões existem maus profissionais com cargos por vezes que não merecem e neste caso fazem parte de Conselhos Directivos, Executivos e Agrupamentos onde nem sempre cumprem com os regulamentos.

 
 
 
11.09.2008
10:12
Portugal - Porto
Tão mal se diz de uma classe profissional, onde nuns casos melhor e em outros pior, mas, no entanto, se temos capacidade de pelo menos escrever e se calhar até um pouco mais, a eles devemos, pelo menos em parte. Excepção, como em tudo, aos auto-didactas.

 
 
 
11.09.2008
08:44
Portugal - Porto
Enfim,como se vê,a culpa é exclusiva dos pais,ninguém,mas mesmo ninguém mais,além dos pais,tem culpa desta situação,aliás até são os pais que metem cunhas para a formação das turmas.Peço desculpa,há outro culpado:o Ministério da Educação,por não ter publicado uma lei a determinar a legalidade deste arbitrio.Devagar,devagarinho,vai caíndo a máscara aos pseudo ensinadores,no entanto os Professores continuam amerecer todo o meu respeito.

 
 
 
11.09.2008
01:28
Portugal - Porto
Basicamente são as turmas dos meninos e filhos dos professores que são todos arrebanhados nas turmas dos docentes mais antigos, que é para não chatearem muito e terem boas notas. Os outros, os menos bons ou filhos do Zé Povinho são todos juntos com os "maus" em turmas para onde depois atiram os professores estagiários e a contracto. Já agora, a média das turmas é de 18,6 de acordo com outro artigo do JN, e existe 1 professor contratado para cada 8 alunos. E eu pergunto, afinal onde andam esses professores todos?

 
 
 


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