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Escolas querem notas dos alunos fora da avaliação

Professores reclamam suspensão do parâmetro com base numa recomendação do CCAP

ALEXANDRA INÁCIO

Há escolas que se preparam para pedir a suspensão do parâmetro referente aos resultados dos alunos na avaliação de desempenho, com base num documento produzido pelo Conselho Científico para a Avaliação de Professores.

Uma escola de Vila Real poderá enviar para o Ministério da Educação um abaixo-assinado defendendo a suspensão do parâmetro B (resultados escolares). No Estoril há outra. Há também um caso, na região Centro, cujo Conselho Pedagógico se recusou a aprovar os instrumentos de avaliação e os professores, em reunião geral, se preparam para pedir a suspensão do processo.

Os sindicatos não identificam os estabelecimentos para não os sujeitarem a "pressões antecipadas" da tutela. Dizem que nas escolas se vive "um clima de medo", e que o processo de avaliação está longe de ser tranquilo. "Até ao final do ano, o movimento voltará a ser nacional", garantiu, convictamente, ao JN Carlos Chagas, presidente do FENEI/Sindep.

"Quando os professores perceberem que o seu esforço é inglório e que a avaliação - da qual depende a sua progressão na carreira - resulta de uma apreciação subjectiva reagirão de forma consistente e nacional. Não tenho dúvidas", insistiu.

No "mail verde" que criou para acompanhamento do processo, a Fenprof já recebeu mais de 500 queixas, em quatro meses. "E a procissão vai no adro", comenta ao JN Mário Nogueira.

"Há escolas que definiram metas de sucesso, por exemplo de 80%, e se o professor não a cumpre é penalizado na avaliação. É inaceitável", afirma o secretário-geral da Fenprof, que tal como a FNE e o Sindep recusam, liminarmente, que os resultados dos alunos façam parte dos parâmetros de avaliação de desempenho.

O CCAP recomenda que os resultados sejam "uma responsabilidade partilhada pela escola e pelo docente". Já a Associação Nacional de Professores, não discorda com o princípio desde que não se focalize nas notas. "Há testes padronizados aplicados aos alunos, muito usados nos EUA" que podem medir "a evolução da aquisição de conhecimentos", defendeu João Grancho. O problema, insistiu, "é que as escolas ainda não têm uma cultura de avaliação. É preciso tempo e formação, que não se centre na divulgação do diploma legal, mas na organização prática do processo" .

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Comentários
7 Comentários

 
 
     
 
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29.09.2008
15:58
Portugal - Porto
Pois, Sr. Viriato, vê-se que percebe muito da avaliação dos professores!...Diga-me então como é que um bom professor ensina um aluno, no 5º ano de escolaridade, que chega com a seguinte recomendação do professor do 1º ciclo:" é conveniente ministrar conteúdos do 1º ciclo do ensino básico")... Como é que se transmitem os conteúdos do 2º ciclo a alunos que não sabem ler nem escrever?. E QUE CULPA TEM O PROFESSOR QUANDO O ALUNO SE NEGA TERMINANTEMENTE A APRENDER? Motiva-se? Como? Concerteza que não conhece a escola dos nossos dias!...Sabe em que condições os professores trabalham?... Ensinar debaixo de uma árvore?...Eu até digo no deserto , na montanha, em cima de um telhado...mas,isto só se aplica a alguns alunos, porque os outros, senhor, a escola nada lhes diz! Os professores sempre foram avaliados, e apesar de ser discutível essa avaliação, os alunos doutros tempos, sabiam, transitavam de ano com mérito. E agora sabe qual é o mérito de uma grande parte dos alunos

 
 
 
29.09.2008
15:32
Portugal
O Objectivo da Escola é dar formação aos alunos e como os professores são essenciais a essa formação, a qualidade dos professores mede-se pelo sucesso dos alunos. A avaliação de um professor não poderá nunca deixar de ter em conta o efeito da sua acção sobre os alunos. Claro que tem que haver maneira de distinguir entre o que é o sucesso e a classificação que o professor dá. Já ouvi professores dizer que agora vou dar 20 a todos e tenho o Excelente garantido. Este tipo de afirmações só vem provar que muitos professores apenas usam a Escola em seu proveito, não querem perder as regalias que lhes foram concedidas de progredir na carreira sem nenhum esforço e consideram que a avaliação é apenas um processo burocrático que vem impedir que o professor desenvolva o seu trabalho. Evidentemente que a burocracia seria desnecessária se o sistema estivesse suficientemente solidificado e que a avaliação fosse tão simples como corrigir um teste. Infelizmente o povo Português gasta a maior parte das suas energias à procura de encontrar a melhor maneira de fugir às suas responsabilidades e não em cumprir com eficácia o seu trabalho, e assim a avaliação terá de ser algo complexa. Claro que os Sindicatos de professores, na defesa da rebaldaria, já afirmam que vão intensificar a luta contra a avaliação dos professores, como se estes fossem seres superiores que não devem ser avaliados.

 
 
 
29.09.2008
14:19
Portugal - Viseu
Mas afinal qual é a função do professor? Se o resultado do trabalho dos professores não é o sucesso dos alunos, então o que é? Se os professores não são avaliados pelo produto do seu trabalho, são avaliados como? E não venham com a história da falta de condições, porque um bom professor consegue ensinar até debaixo de uma árvore. Um mau professor não conseguer ensinar nem na melhor escola do mundo. Tenham paciência, o modelo de avaliação pode ser discutível, nunca haverá um que agrade a todos, mas manter a situação conforme estava era insutentável.

 
 
 
29.09.2008
13:19
Portugal - Porto
Engraçado, já não há mais nada para inventar? E que tal, esta, todos os portugueses vão avaliar o trabalho dos nossos governantes, caso seja negativo, mandámo-los para fora do país, que tal atirá-los aos tubarões...

 
 
 
29.09.2008
11:54
Portugal - Aveiro
Só num país como Portugal,é que se vê esta vergonha. Um professor pode ser fraquinho,mas se tiver bons alunos,tem uma boa avaliação.Mas se pelo contrário, o professor for muito bom,mas com fracos alunos,tem uma avaliação fraca.É como um bom médico,que por ser muito bom, só tem doentes muito graves,mas como muitos morrem,o sr.não tem boa avaliação.Espero poder estar vivinho da Silva, para poder avaliar o governo, nas próximas eleições.

 
 
 
29.09.2008
10:18
Portugal - Aveiro
Descobriram a polvora seca. As vezes que os olhos andam dentro de sacos, e os intelecto a hibernar. Mas como a alegoria da caverna, um dia saem da gruta! eheheheheh

 
 
 
29.09.2008
08:46
Portugal - Porto
E com toda a razão. Então vai-se lá penalizar um professor só porque lhe atribuíram uma turma com maus alunos?Aliás as melhores turmas são seleccionadas aquando da elaboração dos horários dos professores, e os "amiguinhos" recebem as melhores turmas. Nunca deveriam os conselhos executivos permitir elaboração de turmas com base em selecção de turmas electivas (vulgo de "alunos queques e filhinhos de papás ricos")e outras com alunos mais "rascas" "mal-comportados" além da inclusão de alunos com necessidades especiais, sendo alguns, infelizmente, deficientes quase profundos. Pobre do professor, como eu conheço alguns, que são detentores deste últimos grupos de alunos. Claro que os alunos não têm qualquer culpa, nem os seus familiares, mas daí até penalizar os professores na sua avaliação destes grupos, vai uma loucura da Ministra M.L.Rodrigues. Faça ela milagres, já que o seu pseudo-sucesso no Ensino, está camuflado com falsas notas e muito sapo vivo engolido pelos professores que se deixaram, propositada e defensivamente, embarcar num facilitismo do "passem-se todos"! Será isto um verdadeiro ensino? Será esta a melhor política do Ministério? Só a loucura de quem quer "botar figura" política embarca e exige (sim, EXIGE)tais pseudo-sucessos. Juizinho Sra Ministra e apoiantes, pois o Ensino deverá ser coisa muito séria!

 
 
 




 

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