Professores em greve voltam a bater "novo recorde"
Governo reconhece "adesão muito significativa", Plataforma Sindical fala em "dia histórico"
ALEXANDRA INÁCIO E ALEXANDRA MARQUES
De acordo com o Governo, 61% dos docentes fizeram greve; os sindicatos garantem que foram 94%. Além da discrepância de números, o ME reconheceu a "adesão significativa", o que para os docentes já é "histórico".
"É a maior greve de sempre. É um dia histórico", começou por defender Mário Nogueira. Os sindicatos contabilizaram 94% de adesão à greve - sensivelmente 132 mil dos cerca de 140 professores do país. E o recorde, argumentam, foi assumido igualmente pelo Ministério. Para o Governo, 61% dos professores fizeram greve e quase um terço das escolas fechou.
"A adesão foi muito significativa", reconheceu Valter Lemos - reconhecimento aproveitado pelo líder da Fenprof para sublinhar que nunca antes a tutela revelou "números tão altos". A região Norte foi a que registou maior adesão à paralisação tanto pelo ME como pelos sindicatos: 90,4% e 94%, respectivamente.
Em pose vitoriosa, os dirigentes recusaram travar "uma guerra de números", até porque o Governo, acusaram, contabilizou como escolas a funcionar, os estabelecimentos cujos funcionários mantiveram as portas abertas apesar de os alunos não terem aulas.
"O Governo não pode continuar em contra-mão e ignorar a paralisação", comentou ao JN João Dias da Silva. O secretário-geral da FNE acredita que a tutela irá, nos próximos dias, chamar os sindicatos e marcar reuniões - uma convicção depois repetida por Mário Nogueira. Caso o Governo não suspenda e aceite negociar um novo modelo, a contestação continuará, garantem.
O líder da Fenprof interpretou a "ausência" da ministra da divulgação, pelo ME, dos números da greve, como um sinal de possível mudança. "Vamos dar uns dias ao ME", afirmavam os sindicalistas.
"O ME tem de aceitar negociar sem condições", defendeu Mário Nogueira. Para o secretário-geral da Fenprof um modelo de avaliação cuja aplicação só é possível mediante simplificação "tem de ser substituído". O ME, sublinhou, pode impor o cumprimento da lei, mas isso só agravará a tensão nas escolas. "Não peçam aos professores para salvarem a cara do Governo", afirmou.
Os sindicatos voltaram a propor um regime transitório para este ano lectivo e o início de negociações de um novo modelo, que implica a revisão do Estatuto da Carreira Docente, pelo facto de a avaliação decorrer desse diploma.
Valter Lemos reiterou que o Governo "não suspenderá" a lei e que só admite "negociar condições" da aplicação do regime. Os argumentos mantém-se inalteráveis. Com uma diferença: Nogueira coloca "nas mãos do primeiro-ministro a responsabilidade de devolver a pacificação às escolas". Sábado, Sócrates, disse na reunião do PS que a avaliação não é só uma prioridade da ministra, mas também do Governo e do PS.
Ontem, irónico, Nogueira "estranhou" o facto de o PS, "tendo sido o partido que mais se manifestou preocupado" com o impasse na Educação, "foi o único "que ainda não respondeu ao pedido de audiência dos sindicatos".
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