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Nem um civil vai entrar na GNR

A reestruturação da Guarda entra em vigor do dia 1 de Janeiro mas não hánem sinal dos milhares de civis prometidos para libertar polícias para a rua

CARLOS VARELA

O Governo falava muito na entrada de funcionários públicos na GNR para libertar operacionais para o patrulhamento, mas nem um vai entrar, numa altura em que a Guarda, esta quinta-feira, dia 1, já estará reestruturada.

Os anúncios da chegada de civis à GNR e à PSP chegaram a ser veiculados pelo próprio primeiro-ministro, José Sócrates, ainda com António Costa enquanto ministro da Administração Interna.

A ideia era prover os serviços administrativos da GNR e da PSP com funcionários públicos excedentários, provenientes de outros ministérios, medida que iria libertar os militares e agentes agora atribuídos a esses serviços para o patrulhamento ou outras funções mais de acordo com a formação policial recebida.

No entanto, a GNR era o principal alvo da medida, uma vez que esta força militar de segurança era apontada como a que tinha uma maior carga administrativa, até pela existências das brigadas.

A ideia começou a ser veiculada quando, no ano passado, o primeiro-ministro foi ao Parlamento apresentar a reforma das forças policiais, tendente a reduzir o efectivo aplicado em serviços administrativos. E na Resolução de Conselho de Ministros de 1 de Março de 2007 dizia-se o seguinte: "(...) Estão identificados cerca de seis mil postos de trabalho nas forças em funções de suporte que podem ser desempenhados por civis sem formação militar ou policial. Desde logo, 1800 efectivos podem ser libertados" e falava da respectiva "colocação de funcionários civis".

Mas dois anos depois e com 2009 a começar, e a GNR a aplicar já depois de amanhã, dia 1 de Janeiro, a nova Lei Orgânica, com a extinção das várias unidades de escalão brigada, a conclusão é de que nem um único civil chegou à Guarda. "É isso, de facto", apontaram, ao JN, fontes da GNR. Curiosamente, no entanto, ainda em Setembro deste ano, Sócrates, de novo no Parlamento, questionado pelo deputado do PSD, Paulo Rangel, face à onda de violência que grassava no país, garantia que dois a três mil efectivos da GNR iriam ser empenhados em funções operacionais, no âmbito da reestruturação, agora aplicada a partir do próximo dia 1.

Mas também aqui a correspondência não é clara. Com efeito, mercê da reestruturação, a "GNR consegue criar uma estrutura mais flexível e mais rápida a responder às necessidades", segundo fontes daquela força militar de segurança adiantaram ao JN.

São extintas quatro brigadas territoriais e duas especiais, a Fiscal e a de Trânsito, mas os números conseguidos para a componente operacional não ultrapassam os 1200 homens, já contando com os cerca de mil novos militares que começaram a servir no Verão.

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Comentários
6 Comentários

 
 
     
 
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30.12.2008
18:05
Portugal - Setúbal
Concordo e aprovo a desmilitarização da GNR nos serviços burocráticos e administrativos e apenas nestes. Os efectivos que a compõem estão vocacionados para missões de vigilância, prevenção e acção contra o crime, segurança de pessoas e bens onde todos são poucos como é reconhecido universalmente. Penso que seria benéfico para a instituição uma vez que as pessoas seriam preparadas para trabalhos específicos sem prejudicar a vertente "militar". É chocante, por vezes, assistir-se a inquéritos efectuados pelos soldados que, sem preparação, não sabem interrogar e mal sabem utilizar um processador de texto batendo letra a letra com demoras e imprecisões de interpretação e de legislação. Acho que seria muito mais digno para todos a inclusão de pessoal especializado. Cada um faria o seu trabalho naquilo que mais gosta e sabe e optimizaria, com estas sinergias, o desempenho de todas as funções. Quanto aos graduados, têm que se mentalizar que são, cada vez mais , dispensáveis na pirâmide hierárquica. Sem penalizar os actuais, seria, de futuro, uma forma de racionalizar e equilibrar as patentes e controlar o orçamento. Aliás, é um problema de cultura nacional tendo em conta que temos tantos almirantes sem esquadra e generais metidos em gabinetes a fazer não sabemos bem o quê e, quando questionamos a sua necessidade, argumentam segredos da segurança e espírito de missão nacionais. E continuo a não saber porque lhes pagamos... nem eles sabem muito bem.....

 
 
 
30.12.2008
16:54
Portugal - Porto
Eu como não tenho a preocupação de chocar com ninguém, sempre fui apologista de que quem tem treino supostamente especifico deverá exercita-lo/exerce-lo e não propriamente dar uma de Emp. de Escritório, Telefonista, Servidor de cafés, bajulador, etc. Essa medida ia permitir a colocação de excedentes vindos de outros ministérios e muito possivelmente chegar-se-ia à conclusão que não são necessários tantos Militares, a não ser que a intenção seja piramidoidal, ou seja, permite mais facilmente em teoria a subida de posto, ora aí está o corporativismo dito pelo JorgeMiguel que não é Otário e descrito por mim que também fui militar. Os Militares do meu ponto de vista devem ser reduzidos no seu efectivo e devem aumentar a sua capacidade operacional. AZULCLARINHO

 
 
 
30.12.2008
15:32
United Kingdom
Vamos la a ver se a minha opiniao nao choca ninguem...eu penso, que a inclusao de civis numa Instituicao Militar seria benefica para o desempenho das funcoes destas. A menos evidentemente que tenham algo a esconder e portanto escudar-se-iam com o seu proprio Codigo...o que me parece nao ser o caso. Em todas as policias do mundo comtemporaneo, estao civis a trabalhar em colaboracao com estas. Opinioes a parte, ate no seio das Forcas Armadas Portuguesas, temos civis a trabalhar nas mesmas, e que eu saiba, sempre houve boa colaboracao. Assim, os elementos que estao em servicos para os quais nao foram admitidos -telefonistas/Secretaria/Almoxarifado, etc etc.-sempre supervisionados por elemento superior da Instituicao Militar, poderiam ir fazer o normal servico de patrulhas, a bem do povo que juraram defender. E uma questao de adaptacao as realidades actuais da vida cootidiana e as necessidades desta. Mas e evidente que, elementos mais antigos, arreigados a tempos ditadoriais onde vingava a colaboracao institucional e o segredo entre elementos, podem nao estar de acordo. Outros tempos, digo eu...e como os compreendo. Tambem fui militar de carreira, nao por muito tempo e certo, porque nao me adaptei a forma do conceito corporativista e como tal, quem nao esta bem...muda-se. Mas aprendi a conhecer alguns mentalidades retrogadas e como tal, defendo que deveria haver abertura de empregos a civis nas diversas policias...a menos que (como ja disse), algo se pretenda esconder...e depois nao me venham com historias de que eu sou apenas Otario !!!Jacinto Otario/UK

 
 
 
30.12.2008
10:38
Portugal - Porto
Há pessoas que comentam sem terem conhecimento de causa apesar de dizerem que o têm. Pelo que conheço, a GNR é uma instituição bastante democrática e que sabe reconhecer o mérito dos seus elementos. É uma instituição colaborante com as outras instituições e na minha opinião, apesar do aspecto da farda, é das instituições que mais tem contribuído para a segurança dos cidadãos, a sua condição militar faz a diferença pela positiva, apesar de ter pessoal civil mas que não têm poder de decisão. Desejo a todos os militares da GNR que a reestruturação seja para bem do povo e por consequência para o bem dos próprios.

 
 
 
30.12.2008
10:21
Portugal - Porto
Começo por declarar,que,tendo sido Militar de carreira(servi durante cerca de quarenta anos efectivos)não sou adepto,aliás sou mesmo contra a inclusão de civis no seio das Forças Armadas,e na GNR,e não me venham perguntar porquê que as razões (minhas,claro)são tantas que davam para preencher um dossier só sobre esse assunto,mas paradar uma dica dou um exemplo:uma instituição servida por pessoal com estatutos profissionais antagónicos.Portanto,como não partidário de civis quer nas Forças Armadas,quer nas Forças de Segurança,sejam de estatuto militar ou não,logo sou contra a integração de funcionários publicos nessas Instituições.Para mim (continua a ser a minha opinião,e nada mais)os serviços de interior ou administrativos,como lhes queiram chamar seriam desempenhados por elementos das próprias Instituições a partir de determinada idade,a que seria dada formação enerente ás novas funções.tudo que escrevi é apenas a minha visão do assunto,longe de mim querer ser dono da razão e por-me para aqui a vociferar insultos e baboseiras,como fez "francisco3" no seu comentário que após uma pergunta que até pode ser pertinente baixou de tal modo o nível da sua escrita,demonstrando uma falta de cultura,formação e educação de bradar aos céus,este "comentador"provavelmente estava a referir-se a ele próprio quando diz :«lamber latrinas».RETRATE-SE,PEÇA DESCULPA.

 
 
 
30.12.2008
02:11
Portugal - Porto
Onde ia por a gnr 5000 homens que tem no interior de lisboa e quem ia limpar as botas dos oficiais e afins, eram os civis.Meus amigos a GNR parou completamente no tempo e digo isto com conhecimento de causa,quase tudo o que esta corporacao tem de bom eh para os oficiais porque os outros ficam a lamber latrinas.A GNR atraves dos seus superiores nao se quer livrar do seu estatuto militar, porque isso tras servilismo aos senhores oficiais. Tanta publicidade nos meios de comunicacao social que fazem ah GNR e o interior da corporacao nunca esteve tao atrofiadoem, se algum soldado espingarda eh logo abafado. Mudem primeiro as mentalidades e depois falamos.

 
 
 




 

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