Deputadas do PS votam a favor da suspensão da avaliação
As deputadas socialistas Júlia Caré e Eugénia Alho vão votar favoravelmente o projecto do PSD para suspender a avaliação dos professores, decisão que o líder da bancada do PS classifica como "erro político".
Segundo Alberto Martins, a decisão das duas deputadas foi comunicada na reunião do grupo parlamentar do PS, que se realizou esta manhã. O líder da bancada socialista não quis, contudo, ir mais longe nos comentários à decisão de Júlia Caré e Eugénia Alho, acrescentando apenas que "cada um assume as suas responsabilidades".
Questionado se as duas deputadas que vão 'furar' a disciplina de voto poderão vir a sofrer alguma sanção, Alberto Martins rejeitou essa possibilidade, reiterando que no PS "não há delito de opinião".
Além do voto favorável de Eugénia Alho e Júlia Caré, o projecto do PSD deverá ainda contar com a abstenção de outros dois deputados socialistas: Manuel Alegre e Teresa Portugal.
Estes votos não deverão, contudo, ser decisivos para o 'chumbo' do diploma do PSD, bem como para a rejeição dos projectos do Bloco de Esquerda e do partido ecologista Os Verdes sobre a mesma matéria, já que a maioria PS deverá ser suficiente para reprovar os três projectos da oposição, mesmo registando internamente (no máximo) cinco "furos" na disciplina de voto.
Aliás, de acordo com Alberto Martins, a direcção da bancada socialista fez contactos no sentido de assegurar a presença de todos os parlamentares, faltando apenas confirmar se um deputado conseguirá estar presente.
O presidente do Grupo Parlamentar do PSD apresentou o teor do seu projecto a favor da suspensão da avaliação dos professores como sendo "construtivo para o país", tendo em vista "acabar com a situação de anormalidade nas escolas, que tem gerado graves prejuízos para os alunos e para as famílias".
"Antes deste dia foram apenas discutidas na Assembleia da República meras recomendações sobre a avaliação dos professores. O PSD apresenta agora o primeiro projecto vinculativo, que poderá obrigar o Governo a suspender a avaliação e a adoptar um modelo transitório (que o próprio executivo definirá com os parceiros)", acrescentou.
Paulo Rangel definiu ainda o projecto do PSD como sendo "minimalista, já que apenas visa o essencial para que recolha o máximo consenso possível" no Parlamento.
Já a deputada do Bloco de Esquerda Cecília Honório referiu que o seu partido "é o único que propõe a discussão sobre um modelo alternativo de avaliação dos professores nas escolas".
"Partindo da suspensão imediata do actual modelo de avaliação do Governo e do fim da divisão entre professores titulares e não titulares, o nosso projecto visa encontrar alternativas que proporcionem qualidade ao trabalho das escolas", sustentou a deputada do Bloco de Esquerda.
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