Número de abortos perto dos 20 mil previstos
Além de poderem ser realizados de forma legal no Serviço Nacional de Saúde, os abortos são também "seguros" nas clínicas privadas, embora algumas unidades necessitem de melhorar as suas instalações e equipamentos, concluiu uma acção de fiscalização realizada pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.
O número de abortos legais realizados desde que, em Julho de 2007, a legislação portuguesa passou a permitir a interrupção voluntária da gravidez (IVG) até às dez semanas confirma as previsões iniciais das autoridades de saúde. No ano passado foram realizados foram 17.380 abortos legais, um número muito próximo do 20 mil estimados.
Os dados foram confirmados pelo coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, Jorge Branco, ao "Público" online.
Em 2007, o número de abortos realizados no primeiro semestre - cerca de seis mil - parecia contrariar a tendência verificada nos outros países europeus. No entanto, o ano de 2008 demonstrou, esclarece Jorge Branco ao sítio do "Público" a crescente adaptação das mulheres ao sistema de saúde. "O objectivo é que nenhum aborto se faça fora dele", sublinhou.
O responsável não rejeita a hipótese de que possam continuar a existir abortos clandestinos, sobretudo após as dez semanas, mas acredita serem residuais.
Um em cada três abortos em Portugal são realizados nestas unidades privadas, tendo sido registados, desde a entrada em vigor da nova legislação, 16.784.
Apesar do relatório ser globalmente positivo, a IGAS pretende que a Direcção-Geral de Saúde "clarifique especificamente quais os requisitos técnicos necessários para as clínicas que se dedicam exclusivamente à IGV".
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