União homossexual é falácia e viola Constituição
Igreja garante que não discrimina e acusa o PS de abrir "feridas profundas" na sociedade
ALEXANDRA SERÔDIO
A Igreja garante que acolhe todas as pessoas com "tendências homossexuais", mas não aceita que se fale em casamento. Diz que esta é uma questão de "vanguarda desfocada" e que a proposta do PS "é uma falácia".
"O casamento e a família são instituições que não são substituíveis por outras associações", refere o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), lembrando que a Constituição da República "defende o casamento como uma união heterossexual".
Falando aos jornalistas após o final dos trabalhos do conselho permanente da CEP, que ontem esteve reunido em Fátima, o padre Manuel Morujão lembrou que "a família tem algo de original, que é a união entre um homem e uma mulher", pelo que não adianta "inventar um novo dicionário".
"A Igreja respeita, acolhe e condena toda a discriminação que se faça a esse respeito, mas essa vontade de integração e de não discriminação não dá direito a tudo", reforçou o porta-voz da CEP, adiantando que a Igreja e a Constituição "defendem o casamento único e insubstituível".
Admitindo que o casamento entre pessoas do mesmo sexo "é uma ameaça à sociedade", Manuel Morujão defende "para casos diferentes, soluções diferentes".
O PS, sustentou "quererá ter o desejo de enquadrar a todos, de dar um enquadramento legal a pessoas que têm tendências diferentes do comum". Uma posição que defende, mas "não em detrimento da família e do casamento".
"Quem propõe isto não quer ameaçar ninguém. Penso que será com bons propósitos, mas é uma falácia, um engano. É acenar com uma bandeira facilitista e, ao fim ao cabo, desestruturando a sociedade. Porque a sociedade não consegue ser o que deve ser sem estas traves mestras que são o casamento e a família", adiantou. Para o porta-voz da CEP, os casamentos homossexuais são uma "questão de vanguarda, não sei se de direita se de esquerda", mas "é uma vanguarda desfocada que leva por um caminho antropologicamente errado".
E quando chegar a altura de votar, diz acreditar que os cristãos "tomarão as suas conclusões", porque "não é fiável quem se mete por estas aventuras em que a sociedade portuguesa fica exposta a feridas que são profundas". Manuel Morujão diz que há "outras prioridades" sobre as quais os políticos "se deveriam empenhar", como sejam a crise e o apoio às famílias. E acredita que "as bases" da Igreja se movimentarão para esclarecer os cristãos, "não contra ninguém" mas a favor de uma causa fundamental que é o casamento", frisou. O responsável anunciou para o final do mês a publicação de uma nota pastoral dos bispos sobre esta matéria.
Para Vitalino Canas "é legitimo a Igreja ter uma posição" sobre esta questão "e participar no debate". Explica o porta-voz do PS que a intenção de José Sócrates em levar ao congresso a moção que promove a legalização de casamentos homossexuais "é fazer com que Portugal dê um passo em frente", o que "já aconteceu noutros países".
Vitalino Canas garante que os socialistas "respeitam" a posição da Igreja e que nas eleições "as pessoas vão votar em projectos globais e não parcelares". "O PS é embatível nas propostas para todos os sectores e até os minoritários", disse concluindo que a política socialista "aposta na justiça e no interesse nacional".
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