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"Povo devia ir à Régua cortar a linha"

Ex-maquinista e antigo manobrador de comboios garantem segurança e temem pelo fim da via-férrea

EDUARDO PINTO

"Será temporário ou definitivo? Eu acho que nunca mais abre". Fala assim António Rodrigues, 62 anos, residente em Alvações do Corgo e que passou a vida a manobrar comboios em várias estações no Norte do país.

"Então, andaram aqui 30 homens, durante três meses a meter travessas novas (há quem garanta que umas 20 mil) e a compor tudo, e agora dizem que não tem segurança? Só se for por causa da erva (risos)", atira.

António Guedes, 61 anos feitos ontem, ex-maquinista na linha do Corgo e residente em Vale da Ermida (Vila Real) é peremptório: "Garanto-lhe que esta linha tem a máxima segurança, não me venham cá com histórias". Acredita piamente que "chegou a vez de encerrar a via do Corgo", o que, segundo diz, "há muito que estava previsto".

O vizinho, José Nascimento, 63 anos, corre para casa, onde o prato já arrefece. Vem de trabalhar na vinha, uma das muitas que ladeiam a linha do Corgo. "O encerramento? Está muito bem feito…", ironiza. Agora a sério: "Trabalhei 40 anos como encarregado de manobras na Régua e nunca vi esta pouca vergonha".

Nem mesmo os transportes alternativos o convencem. "Isso foi para o povo se calar. Amanhã já nem autocarros há, pois a estrada não tem condições". A via é de facto muito estreita, íngreme e cheia de curvas. Em alguns sítios mal cruzam dois carros. "O povo devia juntar-se e ir à Régua cortar a linha, isso é que era serviço", torna José Nascimento.

Sentado ao Sol quente de Março, em Alvações do Corgo, Carlos Borges, 71 anos, conta que soube a notícia de manhã e logo temeu pela morte da linha do Corgo, pela qual são 20 minutos dali à Régua, cidade onde o povo vai muitas vezes às compras ou apanhar o comboio na linha do Douro para ir ao Porto, nomeadamente ao hospital. Companheiro de soalheiro, Joaquim Augusto, 80 anos, acrescenta que "era bom que a linha voltasse a abrir, para o bem dos velhos que não têm carro".

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