Cavaco lamenta qualidade política
ALEXANDRA SERÔDIO
Presidente justifica abstenção com falta de prestígio dos políticos. Cavaco Silva lembrou ainda que "quando estão em causa questões que a todos dizem respeito", ninguém "se pode eximir das suas obrigações".
O presidente da República recuperou o discurso da ética e da qualidade da democracia para reafirmar que Portugal precisa de órgãos e representantes prestigiados. Trata-se de um caminho vital para motivar o eleitorado e evitar a abstenção.
Cavaco Silva aproveitou as comemorações do Dia de Portugal para lamentar a qualidade dos políticos portugueses. "Se não tivermos órgãos de representação prestigiados, será difícil aumentar a participação dos eleitores e demonstrar-lhes que o seu voto é importante e útil para a formação das decisões de interesse geral".
Recuperando a urgência de "credibilizar" os representantes do povo, acrescentou que "a credibilidade dos agentes políticos é tanto mais necessária quanto a situação económica e financeira actual representa um desafio, sem precedentes nas últimas décadas, à qualidade das instituições democráticas, à competência e visão de futuro dos decisores e ao empenhamento responsável e solidário de cada um dos cidadãos".
Quanto à abstenção, o presidente referiu que "não é aceitável que existam portugueses que se considerem dispensados de dar o seu contributo". Ou seja: "O alheamento não é a forma adequada - nem certamente eficaz - de enfrentar os desafios e resolver as dificuldades". "Pelo contrário, níveis de abstenção como aquele que se verificou nas eleições de domingo passado são um sintoma de desistência, de resignação, que só empobrecem a democracia", garantiu.
Cavaco Silva lembrou ainda que "quando estão em causa questões que a todos dizem respeito", ninguém "se pode eximir das suas obrigações, sob pena da gestão da coisa pública ficar sem esse escrutínio indispensável que é o voto popular".
A abstenção registada, refere Cavaco Silva, "deve fazer reflectir os agentes políticos", uma vez que "a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas depende, em boa parte, da forma como aqueles que são eleitos actuam no desempenho das suas funções".
Na sua intervenção, o presidente da República não esqueceu os momentos de crise económica e alertou para a necessidade de "ver mais além". Defendeu uma antecipação, "desde já", da situação do país após a crise, alertando para a necessidade de haver uma "visão estratégica de médio e longo prazos, uma visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
"Não basta que nos limitemos a tentar sobreviver", lembrando que "Portugal soube sempre encontrar a forma de vencer as dificuldades". "Não podemos deixar--nos abater pelo desalento", pediu Cavaco Silva, durante a sessão solene onde agraciou 37 personalidades.
Estas ligações, para serviços externos ao Jornal de Notícias, permitem guardar, organizar, partilhar e recomendar a outros leitores os seus conteúdos favoritos do JN(textos, fotos e vídeos). São serviços gratuitos mas exigem registo do utilizador.
