O primeiro-ministro, José Sócrates, disse esta quarta-feira que o objectivo do PS para as próximas eleições é fazer "uma coligação com o país", sem esclarecer o que fará no caso de não alcançar uma maioria absoluta nas legislativas.
"Eu tenho um objectivo e não devo comentar outros cenários que retirem força a esse objectivo", afirmou, em entrevista à SIC e SIC-Notícias, lembrando que já em 2004 se recusou a admitir outra hipótese que não fosse a maioria absoluta.
Instado a avaliar o seu papel como primeiro-ministro, José Sócrates respondeu: "Estou muito satisfeito comigo (...) É preciso muita determinação para andar na vida pública. Mas não quero ser juiz em causa própria, vamos deixar esse julgamento para os portugueses".
"Os portugueses sabem que o PS e a maioria PS nunca abusou do poder que tinha", frisou Sócrates, reforçando que o principal objectivo dos socialistasé fazer "uma coligação com um país moderno, um país que quer andar para a frente".
Sobre a campanha das legislativas, José Sócrates diz que procurará dizer aos portugueses que nos quatro anos de Governo o PS tentou "acima de tudo preparar o país para o futuro".
O primeiro-ministro acusou o PSD de ter "uma agenda escondida", dizendo que o partido liderado por Manuela Ferreira Leite "defende a privatização parcial da segurança social".
"Distingue-me do PSD, fundamentalmente, um ponto: as funções sociais do Estado", disse, vincando as diferenças em relação a Ferreira Leite.
"Não me passaria pela cabeça dizer que as obras públicas só vão beneficiar os trabalhadores ucranianos e cabo-verdianos (...) A mim não me passaria pela cabeça que o casamento tem como única função a procriação", afirmou o primeiro-ministro, que acusou a líder do PSD de querer "revogar imediatamente" a lei do divórcio após as eleições legislativas. "Porquê essa raiva?", questionou.
Na entrevista à SIC, Sócrates defendeu que a legitimidade do Governo "está intocável", apesar da derrota nas europeias, considerando "um abuso" que alguns queiram transformar estas eleições em legislativas.
"Isso é um abuso, é não respeitar a democracia. A nossa legitimidade está intocável", disse.
Numa interpretação dos resultados do PS a 7 de Junho - 26,6 por cento - o secretário-geral socialista apontou dois factores.
"Houve um desgaste provocado pelo facto de termos tido de fazer muitas reformas em pouco tempo, o que gera tensões em alguns sectores da sociedade, que se somou depois à crise económica e financeira que não permitiu que os resultados destas reformas aparecessem com tanta evidência", justificou.
José Sócrates reconheceu mesmo que se pode ter instalado a ideia de que o Governo agiu contra algumas classes profissionais, como os juízes ou professores, na execução dessas reformas.
"Claro está que o governo não age contra classes profissionais (...) Nada disso, as reformas que nós fizemos foram ao serviço do interesse geral", salientou.
Por exemplo, no caso da educação, o primeiro-ministro reconhece que nem tudo correu bem: "Errámos ao propor uma avaliação tão exigente, tão complexa e tão burocrática. Corrigimos logo a seguir, mas o erro ficou feito", disse.
Questionado se, caso o PS ganhe as próximas legislativas, manterá a actual ministra da Educação, José Sócrates deixou em aberto a possibilidade de renovação da pasta.
"Quanto ao futuro governo não quero comprometer-me com nada, mas naturalmente os portugueses sabem que o novo Governo será um novo Governo", disse.