O ministro da tutela sublinha que Governo vetou o negócio só em termos imediatos. Depois das eleições legislativas, os accionistas da PT devem pronunciar-se e o Executivo decidir se viabiliza a compra de 30% da Media Capital.
O ministro das Obras Públicas e Comunicações admitiu ontem que o negócio entre a Portugal Telecom (PT) e a Media Capital (MC) poderá concretizar-se após as eleições legislativas agendadas para 27 de Setembro. Mário Lino frisou que o Governo foi contra a compra de 30% da empresa proprietária da TVI pela PT "neste momento".
"A partir das eleições terá de perguntar ao Conselho de Administração da PT", declarou à margem do seminário Diário Económico, em Lisboa.
O governante referiu ainda que as suspeitas de tentativa de ingerência do Executivo na política editorial da TVI foi "argumento suficiente" para chumbar a aquisção. "Não se deve fazer nenhum negócio que possa ser entendido como uma intromissão do Governo para controlar a TVI", afirmou.
Na mesma linha, o presidente executivo da PT, Zeinal Bava, diz nunca ter desistido de um negócio por condicionantes hierárquicos: "Nunca me senti limitado pelo Conselho de Administração em prosseguir qualquer projecto que crie valor accionista".
A possibilidade do negócio se realizar no final do ano ou no início de 2010 também não foi afastada pelo administrador delegado da MC, Bernardo Bairrão.
Referindo não haver qualquer "urgência", Bairrão deixou claro que o veto governamental não será obstáculo. "Não será pela goldenshare que não iremos encontrar formas de entendimento com a PT", assegurou.
Aos jornalistas, o administrador revelou que a M Ca "gosta de fazer os seus negócios, tanto quanto possível, em privado", e "sentiu-se m ais prejudicada pela exposição (pública) que pela intervenção do Governo que agiu de acordo com as capacidades resultantes da goldenshare".
Com a admissão do Governo de que o negócio só foi adiado e mantendo-se o interesse das duas empresas, resta aguardar pelo próximo Inverno.