Rangel envolve Marcelo e ganha tempo
Luís Filipe Menezes adverte que terá uma palavra determinante na escolha do futuro líder do PSD
ADELINO CUNHA
Os apoiantes de Manuela Ferreira Leite dispersaram-se por vários órgãos de informação a defender a candidatura messiânica de Marcelo. O compasso de espera favorece a tentativa de consolidar Paulo Rangel como alternativa.
Tal como nos jogos de râguebi, os apoiantes de uma candidatura de Paulo Rangel a líder do PSD ganharam algum terreno. Em formação ordenada, avançaram uns metros e passaram a bola para Marcelo, dando a entender que tem diante de si mais uma candidatura messiânica e inevitável. Chutará antes de ser placado? "Um partido que tem entre os seus militantes um militante com as qualidades do professor Rebelo de Sousa, do meu ponto de vista, não deve desperdiçar a oportunidade de o fazer líder do partido e de o tornar primeiro-ministro de Portugal", afirmou Paulo Rangel na quinta-feira.
Nessa mesma noite, José Luís Arnaut, Alexandre Relvas e José de Matos Correia desmultiplicaram-se por vários órgãos de informação a amplificar esse putativo desejo para aparentemente "contaminar" o PSD e tornar a candidatura de Marcelo hegemónica e neutralizar Pedro Passos Coelho. Efeito imediato: os passistas Miguel Relvas e Nogueira Leite responsabilizaram este grupo por ter gerado a liderança derrotada de Ferreira Leite e acrescentaram o fracasso da primeira passagem de Marcelo pela liderança do PSD.
Tudo estaria nas mãos de Rebelo de Sousa e de Passos Coelho se a questão de saber quem avança e em que condições avança terminasse no eixo Lisboa/Cascais. Luís Filipe Menezes e a distrital do Porto assumem-se como determinantes nesta equação geográfica e para o demonstrarem lamentam a encenação em curso e reservam-se para mais tarde.
"Terei uma posição tanto mais determinante no futuro do PSD quanto mais desejado for e mais silencioso eu estiver nesta altura", afirmou Luís Filipe Menezes ao JN. O presidente da Câmara de Gaia adverte que o espaço mediático está ocupado por "demasiados palradores". O que justifica que assista em silêncio ao "jogo de cadeiras e de lugares, sem ideias nem projectos políticos".
As reservas do antigo líder do PSD estendem-se ao presidente da distrital. "Recuso entrar na discussão sobre questões internas do PSD enquanto não estiverem marcadas eleições internas", afirmou ao JN Marco António Costa. "O PSD deve estar empenhado na discussão do programa de Governo e do Orçamento de Estado e não desviar as atenções para questões internas".
Ferreira Leite adiou a sua sucessão para o próximo ano e permitiu a Paulo Rangel ganhar algum tempo. O relançamento de Marcelo preserva a sua posição durante mais algum tempo e evita o desgaste público de uma campanha dura com Passos Coelho.
Estas ligações, para serviços externos ao Jornal de Notícias, permitem guardar, organizar, partilhar e recomendar a outros leitores os seus conteúdos favoritos do JN(textos, fotos e vídeos). São serviços gratuitos mas exigem registo do utilizador.
