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José Sócrates assume programa eleitoral

Governo apresenta-se ao Parlamento como PS se apresentou ao eleitorado

ANA PAULA CORREIA

"Sem tirar nem pôr" ou "mais do mesmo". São expressões que podem caracterizar a comparação entre o programa eleitoral do PS e o conteúdo do programa do XVIII Governo entregue, ao fim da tarde de ontem, segunda-feira, no Parlamento.

Antes de 27 de Setembro, ainda com a esperança na maioria, Sócrates apresentou ao eleitorado o "Programa de Governo do Partido Socialista"(130 páginas). Agora, quando a realidade é um executivo minoritário, entregou na Assembleia da República o "Programa do XVIII Governo Constitucional" (129 páginas), com um texto igual ao anterior, excluíndo a comparação entre as opções do PS e as dos outros partidos e a alusão à revisão constitucional, que será de exclusiva iniciativa parlamentar.

A semelhança dos documentos é assumida pelo novo ministro dos Assuntos Parlamentares. "É o acto mais coerente que seria esperável do Governo". Assim falou Jorge Lacão, depois de ter entregue o documento ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. Eram sete da tarde.

"O PS apresentou-se com base num programa eleitoral, os portugueses sufragaram positivamente esse programa eleitoral e agora do que se trata é de assumir o compromisso estabelecido perante os eleitores". A seguir garantiu que o propósito do Governo é cumprir integralmente o programa, que começará a ser discutido depois de amanhã, no Parlamento. (ler pág.3)

Ainda uma frase de Lacão, para explicar que as "linhas-mestras do Programa são "combate à crise", "modernização da sociedade e da economia" e "justiça social". Como já enunciara Sócrates no discurso de posse do Governo e, amiúde, e por outras palavras, durante a campanha eleitoral.

No texto ontem apresentado, uma semana depois da posse dos ministros, lá estão os grandes investimentos públicos, como o TGV e o novo aeroporto, o reforço dos apoios sociais, uma reforma fiscal centrada no IRS e mais simplex. Exemplos de enunciados que só passarão à prática quando, também no Parlamento, for apresentado o Orçamento de Estado para 2011.

Promessa reiterada, mas sem data aprazada, é a eliminação das barreiras ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O programa, como é acentuado no texto introdutório, tem um horizonte de toda a legislatura (quatro anos) e é, por isso, que é preciso esperar para ver quais serão as iniciativas legislativas prioritárias para o Governo e para o grupo parlamentar socialista.

Num dos temas mais quentes de debate político, o estatuto da carreira docente, do qual decorre a avaliação dos professores, não há ainda sinais claros de cedência. Apenas uma redacção ambígua, também ela copiada do programa eleitoral, na qual se pode encaixar uma negociação com a Oposição.

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Comentários
4 Comentários

 
 
     
 
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03.11.2009
11:23
Portugal - Lisboa
Pelo que é dado a perceber, com o programa vigente o PS está de certa forma a responsabilizar os partidos da oposição, caso estes não aprovem as propostas. Não deixo de ficar abismada pelo facto de existir uma urgencia tão grande nesta 1ª fase em homologar os casamentos Gay.Todos os casos graves do n/País têm prioridade sobre outros quaisquer.

 
 
 
03.11.2009
11:22
Portugal - Aveiro
Se a oposição for firme e coerente, e não entrar em guerrilhas, vai obrigar Sócrates a provar o próprio veneno que criou.

 
 
 
03.11.2009
09:58
Portugal
Um partido que propôs alianças estratégicas a todos os partidos não é credível. E a teoria que são os únicos iluminados também já enjoa. Por certo, estaria à espera que já houvesse um partido a lamber-lhes as botas e a viabilizar o seu programa, mas parece que a coisa está difícil. Até eu estou espantado por ainda não ter havido um jantarzinho à luz das velas ente o Portas e o Pinto de Sousa.

 
 
 
03.11.2009
09:09
Portugal - Porto
O PS vai ter que ceder á medida que for querendo cumprir o programa,faz uma coisa mas cede em outra,governar é isso mesmo,será irresponsável se o PS não tiver em conta que vivemos mal e isto tem que acabar de uma vez por todas,temos que evoluir principalmente nas condições de vida das pessoas todas,a vida descansada não pode continuar a ser só para quem tem fortunas, isto não está certo.

 
 
 


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