Procuradores ouvem jornalista da TVI
NELSON MORAIS
A jornalista da TVI Ana Leal foi ontem inquirida pelos procuradores do Freeport, sobre uma reportagem segundo a qual um primo de José Sócrates poderá ter intermediado pagamentos de "luvas" ao ex-ministro do Ambiente.
Nesse trabalho de investigação, emitido a 4 de Setembro, a TVI declarou-se na posse de informações sobre a possível identidade do "gordo", uma personagem do processo que é mencionada em e-mails apreendidos pelas autoridades e que teria canalizado supostos pagamentos a José Sócrates, para garantir a aprovação do empreendimento Freeport pelo Ministério do Ambiente.
Segundo o trabalho assinado pelos jornalistas Ana Leal, Carlos Enes e Manuela Moura Guedes, o "gordo" será o nome de código de José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, filho de um tio paterno de Sócrates (é o seu segundo primo referenciado no processo).
Num DVD que a TVI já havia divulgado, aparece o arguido Charles Smith a afirmar que tinha entregado envelopes com subornos a um "primo" de Sócrates, que, alegadamente, os faria chegar ao actual primeiro-ministro.
Já num dos e-mails apreendidos pelas autoridades, com data 15 de Junho de 2002, Smith escreveu ao administrador da Freeport Gary Russel: "Estou preocupado que o protocolo não seja assinado até poder dizer ao gordo que foi feita uma transferência". E, a 18 de Maio, Smith envia outro e-mail, ao sócio e arguido Manuel Pedro, em que já terá identificado mais claramente o primo de Sócrates: "Temos que pedir ao Freeport para enviar 80 mil libras ainda esta semana para podermos pagar ao Pinochio algo no dia 31 de Maio, conforme eu combinei com o Bernardo, para não arriscar nada".
Na véspera da emissão da reportagem da TVI, foi noticiada a existência de uma carta anónima, dirigida a um inspector da PJ de Setúbal, que já fora afastado do processo, onde constaria informação semelhante à daquele trabalho jornalístico. Mas o director da PJ, Almeida Rodrigues, reagiu de imediato, afirmando que a carta não tinha credibilidade.
Ontem, os procuradores Paes de Faria e Vitor Magalhães inquiriram Ana Leal com o propósito de obter informações, justamente, sobre os contornos da sua reportagem. De resto, segundo noticiou ontem a TVI, José Paulo Bernardo Pinto de Sousa já foi notificado para prestar declarações àqueles procuradores.
A reportagem em causa abriu o primeiro telejornal de sexta-feira da TVI, após as férias, sem a pivô Manuela Moura Guedes.
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