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Ministra e sindicatos de mãos dadas por nova avaliação

Primeiro encontro na 5 de Outubro terminou com clima de tréguas entre docentes e Governo

GINA PEREIRA
 
foto António Cotrim/Lusa
Ministra e sindicatos de mãos dadas por nova avaliação
 

A nova ministra da Educação, Isabel Alçada, mostrou-se, ontem, empenhada em construir um "novo modelo de avaliação e um Estatuto da Carreira Docente em que os professores se reconheçam". A bem das escolas.

Depois de uma primeira ronda negocial com os sindicatos dos professores, que se prolongou por todo o dia no Ministério da Educação, parecem ter regressado as tréguas às instalações da 5 de Outubro. Ministra e dirigentes sindicais sintonizaram o discurso e garantiram "abertura" para "dialogar" e rever os dois principais motivos da contestação dos professores nos últimos quatro anos: o Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação, "duas medidas que terão de ser trabalhadas em conjunto", disse a ministra.

Em conferência de imprensa, no final da maratona negocial, Isabel Alçada explicou que "o quadro da lei vigente é para cumprir", ou seja, o modelo de avaliação não vai ser suspenso e o primeiro ciclo de avaliação, que termina em Dezembro, é para levar até ao fim. A ministra garantiu que há entre 40 a 50 mil professores que já terminaram o processo de avaliação e que "ainda há tempo" para que muitos outros o possam fazer, para que a avaliação seja tida em conta na progressão da carreira.

Contudo, Isabel Alçada garantiu que, a partir de ontem, a nova equipa do Ministério, professores, sindicatos e escolas vão começar a trabalhar num modelo que vá de encontro às preocupações dos professores. "Tudo faremos para que os professores se reconheçam no novo modelo de avaliação e no novo estatuto", disse, rejeitando que se trate do reconhecimento da falência do anterior modelo. "Há um trabalho de análise que tem de ser feito constantemente e que exige reajustamentos".

"Nós precisamos que os professores tenham serenidade, que invistam o seu esforço na sala de aula e que tenham tempo para se dedicar à actividade lectiva. O tempo que dedicam à avaliação deve ser o necessário e suficiente e não excessivo", disse, admitindo que "há uma série de factores que têm de ser valorizados na profissão de docente".

Isabel Alçada não se comprometeu com nenhuma alteração em concreto - não disse, por exemplo, se admite acabar com a divisão da carreira entre professor e professor titular, uma das principais reivindicações dos sindicatos - mas insistiu que a progressão na carreira terá de estar sempre associada à avaliação. A ministra também não se comprometeu com um prazo para a definição do novo modelo, mas garantiu que as escolas serão informadas dos procedimentos, "para que os professores não sejam obrigados a trabalhos desnecessários".

À saída de cada uma das mesas negociais, os sindicatos mostravam-se satisfeitos. Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores (Fenprof), mostrou-se confiante de que, na próxima semana, os sindicatos terão uma proposta de calendário negocial para discutir os diplomas mais polémicos e que "todas as matérias estão em aberto". João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, considerou que o dia de ontem foi "o princípio do fim da antiga avaliação de desempenho e da divisão da carreira em duas categorias".

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Comentários
6 Comentários

 
 
     
 
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11.11.2009
13:04
Canada
Entretanto, quando a "água bate na rocha, quem se LIXA é o mexilhão" querem que vos explique? Não! Para "bom entendedor um 'provérbio basta'" Parece que é que o dr.Mario Nogueira quer, p'ra ver se se cala...Chegará ou não?

 
 
 
11.11.2009
12:21
Portugal - Porto
Estou para ver...Mas cá para mim os professores nao querem avaliação...logo quando surgir outro modo de avaliaçao lá volta o barulho outra vez...

 
 
 
11.11.2009
11:20
Netherlands
Estou a gostar da postura desta Ministra da Educação. Receptiva, colaborante, capaz de finalmente pôr termo a um conflito onde ninguém tem a ganhar e todos têm a perder. O Dr. Mário Nogueira e Representantes Sindicais podem agora fazer um bom acordo em nome da Escola Pública.

 
 
 
11.11.2009
11:13
United Kingdom
A situacao resolve-se bem: Deem toda a liberdade aos professores para eles ganharem o seu dinheirinho, serem promovidos, irem dar aulas quando nao tiverem nada mais para fazer e vao ver que eles ainda vao reindividicar mais direitos.Nao acreditam? Entao perguntem ao sr. Mario Nogueira onde ele fez carreira... JamCintOtario/UK

 
 
 
11.11.2009
11:04
Portugal
Como é que partidos que se apresentam como defensores das classes mais desfavorecidas se permitem defender classes previlegiadas como a dos professores que sempre receberam os favores de governos reaccionários, no tempo do fascimo e depois do 25 de Abril, tendo sido grandes beneficiários do "monstro" de Cavaco Silva! Lembram-se?

 
 
 
11.11.2009
09:39
Portugal
Com tantos problemas sérios para discutir e aprofundar relativamente ao país, os partidos acham que o problema dos senhores professores é prioritário! Este oportunismo político por parte dos partidos opositores é confrangedor e prova a incapacidade para abordarem problemas mais profundos e úteis. O BE, pelos vistos, não aprendeu nada com as eleições ao passar de 500 e tal mil para 160 mil votos.

 
 
 




 

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