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"Já há escolas que não têm praticamente repetências"

Alexandra Inácio

Ana Maria Bettencourt, presidente do Conselho Nacional de Educação, não se quer pronunciar sobre o fim dos chumbos, mas recorda que já há escolas que não têm praticamente repetências.

Concorda que os chumbos sejam retirados da avaliação?
Esse é um debate que fazemos no Conselho Nacional de Educação (CNE) com grande serenidade. Não temos soluções. Não nos pronunciamos sobre entrevistas. Quando o Ministério da Educação apresentar um projecto, eu própria proporei a elaboração de um parecer. De qualquer modo, o objectivo deve ser que todos os alunos aprendam mais na escola. 

De que modo?
Apesar de termos muito bons professores e alunos, há um grande défice de aprendizagem nas escolas portuguesas. Não se pode deixar alunos para trás sem apoios – é isso que recomenda a OCDE. Deve-se substituir a repetência por apoios. Por exemplo, fazer uma organização diferente do trabalho em sala de aula. A diferenciação pedagógica é fundamental. Também é preciso intervir aos primeiros sinais de dificuldade – no pré-escolar e 1.º ciclo.  

Como na Finlândia?
E na Austrália, no Canadá, no Japão e tantos outros países onde também há maior responsabilização pelas aprendizagens.

Com outra cultura também.
O problema cultural prejudica mais as crianças que não têm apoio em casa e nos países com esse défice, a OCDE recomenda que sejam as escolas a assumir maior responsabilidade pelos apoios.
Mas esses apoios implicam maior investimento no sistema?
Sim, investimento nos recursos, também na formação dos professores e até na valorização de projectos, que já existem e são promovidos pelas escolas. Há muitos professores que fazem muito bom trabalho que devia ser mais valorizado. Há escolas que não têm praticamente repetências e não é com passagens administrativas – o CNE tem estudado essas situações.

Vão emitir um parecer?
Não, já aprovámos em plenário e no final de Setembro será lançado o primeiro balanço do Estado da Educação em Portugal, onde também damos conta de escolas que conseguiram reduzir imenso as repetências. Mas se queremos alargar a escolaridade obrigatória a 12 anos precisamos mudar.

 
 
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