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"Haja saúde para trabalhar que eu faço o que for preciso"

TIAGO RODRIGUES ALVES

Com o corpo dormente depois de 25 horas sentado na camioneta, José é dos primeiros a sair porta fora. Ainda antes de ir buscar as malas, vai ter com a mulher e o filho que o esperavam impacientemente há algum tempo.

 
foto PEDRO CORREIA/GLOBAL IMAGENS
"Haja saúde para trabalhar que eu faço o que for preciso"
José Rocha, 41 anos, está emigrado em França há seis meses
 

Dá um beijo à mulher e outro ao filho que ainda recebe de presente um grande tigre de peluche. Só depois, apressadamente, José dá a volta ao autocarro para ir buscar a mala.

"Tinha saudades deles... muitas saudades. Felizmente, agora vou ter cinco semanas para matá-las e vou brincar muito com o meu filhote", adianta. José tinha saído de Portugal nesta última vez há seis meses. O destino foi Paris, França. Antes, já tinha passado por trabalhos em Inglaterra e Espanha. "Ao contrário do inglês ou do espanhol, a língua francesa não é muito fácil, mas - que remédio - vai-se aprendendo", diz com um sorriso.

O destino e as funções são o que menos interessa a José. "Aqui está muito complicado para arranjar trabalho e eu tenho família para sustentar e uma casa para pagar", justifica. "Trabalhar lá fora vale a pena. Haja saúde para trabalhar que eu faço o que for preciso", garante.

Ainda não sabe o que irá fazer nestas cinco semanas que tem em Portugal. Sabe que naquele momento o que mais lhe apetece é ir para casa e passar algum tempo com Aurora e David Augusto. A mulher diz que não tem de especial para o jantar. "Ele que diga o que quer e eu faço".

As saudades eram muitas e recíprocas, mas ambos rejeitam a ideia de a mulher e o filho irem com o pai da próxima vez. José franze a testa e diz que até gostava, mas prefere que fiquem em Portugal.

"Temos aqui a casa para tomar conta e não me estava a ver a ir para outro país", explica Aurora. Ainda para mais com a escola para o David Augusto. José também diz que só vai porque é preciso, porque se não fosse ficava por cá, em Vila Nova de Gaia, junto da família que é onde mais gosta de estar. "Mas aqui está muito, muito difícil", insiste. "E eu não sou homem de ficar acomodado à espera", termina.

 
 
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