Tal como milhares de portugueses, Manuela Morais emigrou para procurar a vida que a sua terra, Luzelos, em Carrazeda de Ansiães, não lhe proporcionava. "Aqui não era fácil arranjar emprego e não se ganhava muito".
| foto PEDRO CORREIA/GLOBAL IMAGENS |
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| Manuela Morais, 49 anos, é emigrante no Luxemburgo |
Há 22 anos foi, de autocarro, passar 15 dias de férias à capital do Luxemburgo, onde já se encontrava uma amiga a trabalhar, e acabou por ficar lá. Conseguiu emprego na área da restauração, assim se mantém, e duvida que alguma vez regresse a Portugal de vez. "Não estou minimamente arrependida de ter emigrado", confessa.
Esta convicção resulta da vida que conseguiu criar lá, apesar de viver sozinha. Uma vida de trabalho, claro, mas razoavelmente compensada, muito embora já tenha conhecido melhores dias. "Antes da entrada do Euro, o dinheiro rendia muito mais, graças ao câmbio. Com a nova moeda aumentou o preço de tudo e já não é a mesma coisa. Mesmo assim, e apesar da crise actual, vive-se lá muito melhor do que em Portugal".
Manuela está a aproveitar duas semanas férias para estar com a mãe. Depois de muitos anos a viajar de carro, entre Luxemburgo e Carrazeda, prefere agora fazê-lo de avião, até ao Porto, e alugar um carro para o tempo que passa cá. Porque as 20 cansativas horas que se demorava na rodovia, foram reduzidas em cinco vezes.
Findo o descanso terá de regressar ao seu serviço num restaurante, onde começou, há 22 anos, por servir à mesa. Hoje está na cozinha, onde lhe calha confeccionar saladas e pratos frios. Como o patrão também tem um hotel de 15 quartos vai ajudar quando é preciso.
Portugueses é o que não falta por lá. "São muitos, mesmo muitos". É quase como se vivesse em Portugal. Abundam as associações onde os emigrantes lusos se encontram para conviver. Mas ultimamente não têm sido muitos os que tentam uma nova vida no Luxemburgo. "Quem foi há 20 anos conseguiu emprego, comprar casa e carro, e estão bem. Agora é mais difícil ter trabalho, porque há mais pessoas de outros países a emigrar para lá. Conheço portugueses que tentaram ir e já tiveram de regressar à terra".