Ferreira Leite assume defesa da classe média
carla soares
Ferreira Leite poderá não ter apresentado propostas muito concretas, mas as ideias surgiram. Os novos pobres - classe média endividada - mereceram especial atenção.
Ferreira Leite elegeu 20 dos 55 membros efectivos do Conselho Nacional, o mesmo que Luís Filipe Menezes no anterior congresso, enquanto os seus opositores nas directas Passos Coelho e Santana Lopes elegeram, respectivamente, 16 e 5 conselheiros. A lista do PSD Porto, liderada por Agostinho Branquinho, conseguiu obter três mandatos.
Sem a festa de outros congressos Ferreira Leite sagrou-se líder do PSD com uma equipa que marca a tentativa clara de renovar não só em caras mas, e sobretudo, no estilo de fazer política. E apresentou, finalmente, ideias.
Ao seu estilo, a ex-ministra das Finanças não se pôs a anunciar propostas alternativas, mas definiu já às áreas a que o PSD não deixará de dar a devida atenção nos próximos tempos. A começar pela área fiscal, aquela que afecta as classes médias que se vêem "a empobrecer" e que tem de ser toda reformulada. E também os "novos pobres", que levaram a nova líder social-democrata a reafirmar que o país o se encontra em "estado de emergência social".
Neste capítulo Manuela Ferreira Leite acha que a situação "pode justificar que se abdique de alguns investimentos" para os canalizar para instituições sociais.
O discurso estava escrito e Manuela ensaiou pouco o improviso. Apenas para dizer que "não será simples nem fácil" ultrapassar vários "entraves". Um deles, disse, é a "pouca importância dada ao mérito"; outro, os bloqueios à iniciativa privada. O terceiro, a "crescente desigualdade na repartição de riqueza" que Ferreira Leite atribuiu às "políticas erráticas e às ineficiências do sistema fiscal que empobrecem e desmoralizam a classe média". "Nãos nos esqueçamos que a sustentabilidade das políticas sociais depende, substancialmente, dos impostos pagos pela classe média", vincou, ressaltando que são elas "as mais prejudicadas pelo recurso constante ao financiamento das despesas públicas com os impostos". Neste contexto, pode-se esperar do novo PSD "uma atenção muito especial" ao sistema fiscal que precisa de "transparência, simplificação e previsibilidade". A Justiça é o quatro entrave nomeado por Manuela. Na Saúde defendeu que se equacione seriamente o financiamento do SNS. E se criem condições para fixar médicos e se evitem "as aposentações antecipadas". Na reforma do Estado, disse, "está quase tudo por fazer". E no investimento público, "tudo tem que ser repensado". Defendeu ainda que "o país terá que responder às questões sobre se são precisos tais gastos públicos e se há meios de os pagar".
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