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Opinião: "Não existo, logo penso"

Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara de Gaia

O Verão iniciou-se com um surto de assaltos a tribunais, seguiram-se homicídios em bairros suburbanos. Agora, chegou o recrudescimento do carjacking, os ataques à bomba a carrinhas de valores e os assaltos com homicídios a bombas e a ourivesarias. O maior partido da Oposição manteve-se coerentemente silencioso. Só fala a 7 de Setembro, na Universidade de Verão!

 
 
 

A Comunicação Social escrita veio denunciar publicamente o sobrecusto de 40% das empreitadas das novas auto-estradas. O Governo "só" se havia esquecido de contabilizar o valor das expropriações! A liderança do PSD não comenta. Coerentemente, só sairá da sua letargia no primeiro fim-de-semana de Setembro, em Castelo de Vide!

O PSD do Algarve reuniu centenas de militantes e simpatizantes sociais-democratas na tradicional Festa do Pontal. A Direcção do PSD não compareceu. Gente de palavra. Banhos são banhos. Descanso é descanso. Para além da coerência que obriga a não haver misturas com um povão a cheirar a sardinha assada. Prevalece, assim, o voto de castidade verbal, só violável a 7 de Setembro!

Estudos arqueológicos adiados a favor do betão da empreitada da barragem do Sabor, guerra na Geórgia a pedir comentário sob precedente do Kosovo, Jogos Olímpicos a motivarem uma palavra sobre a estrutura da política desportiva nacional, promulgação do novo mapa judiciário não consensualizado com o PSD. Questões menores, face à afirmação eficaz de um novo estilo de liderança que teria remetido um comentário ao terramoto de Lisboa de 1755 para a data de uma qualquer universidade estival! Pobre marquês, com esta gente da "quadratura" estava condenado, o seu estilo era mesmo insuportavelmente populista!

A propósito deste marasmo, recordo o último Verão. Quando a então Direcção do PSD levantou a sua voz contra a onda de criminalidade violenta que grassava em Lisboa e no Porto. Responsabilizando directamente o primeiro-ministro. Chamando o Governo ao Parlamento. Propondo medidas de reforço orçamental na área da segurança. Criando as condições para uma afirmação mais assertiva do Ministério Público. Fazendo propostas alternativas para as novas leis-quadro da segurança interna e investigação criminal.

Recordo as visitas, por mim realizadas, entre outros, aos bairros da Cova da Moura, Quinta do Mocho, Zona J de Chelas, Aleixo. Nessas visitas, alertámos para o clima de pré-implosão que aí se poderia estar a instalar. Falámos então da incidência brutal de desemprego, utilização do rendimento social de inserção, consumo e tráfico de droga, conflitualidade interétnica, vividas nesses bairros. Identificámos esses portugueses, cerca de 700 mil, se contabilizarmos bairros sociais e bairros construídos a custos controlados, como os mais necessitados de uma intervenção pró-activa, em termos de políticas sociais. Para eles, propusemos um polis social, com um investimento, cujas fontes de financiamento foram identificadas, de dois mil milhões de euros em quatro anos.

Recordo os pontais de Sá Carneiro, Cavaco Silva, Fernando Nogueira. Líderes horrivelmente viciados numa política pé--descalço, própria do parque jurássico da democracia. Agora, com esta Direcção, os Obama, os Clinton e os McCain deste mundo passaram a ser o paradigma de uma atitude ultrapassada de viver a democracia. Gente que pratica o mau exemplo de andar anos a mendigar votos às bases partidárias, a almoçar em cantinas, a visitar recônditas aldeias, a aturar polícias e bombeiros e quermesses de idosos de todas as cores. Verdadeiros trogloditas e irresponsáveis, que vão gastar milhões de dólares nesses insuportáveis clímaxes de política espectáculo, apelidados de convenções! Espero que, coerentemente, apesar de convidado para o efeito, este PSD lá não esteja presente!

Recordo a guerra estival que o PS desencadeou contra Cavaco Silva por causa das gravuras do Côa. Será que as do Sabor sabem nadar?, ou será que a actual Direcção do PSD não quer incomodar de todo os interesses instalados?

Recordo a posição, então criticada, que a minha Direcção tomou contra o reconhecimento do Kosovo. Alertámos para o precedente que ia abrir-se. O conflito da Geórgia teria sido uma boa oportunidade para reafirmar a nossa atitude. A não ser que venha aí uma mudança de posição, na esteira do habitual seguidismo de uma diplomacia sem alma.

A polémica à volta da selecção olímpica já deveria ter merecido uma palavra por parte de quem aspira a governar o país. Uma palavra de apoio a atletas como Gustavo Lima, Naide Gomes, Pedro Póvoa ou Francis Obikuelu, que merecem respeito e estímulo, uma palavra sob uma filosofia de formação que, apesar da postura positiva do actual secretário de Estado, ainda não entendeu que o princípio de tudo tem de estar num forte desporto escolar, uma palavra de regozijo dirigido a Nélson Évora e a Vanessa Fernandes, dois grandes campeões. Eu sei que a Vanessa é de Gaia, mas palavra de honra que o mérito do seu sucesso não é do presidente da Câmara. É só dela, do seu técnico, da sua família e das gentes de Perosinho. Eu sei que um dos actuais vice-presidentes do PSD foi um dos mais apagados e medíocres responsáveis pela pasta do Desporto. Mas isso é passado. Se fôssemos por aí, julgando o curriculum governativo das actuais Direcção e liderança do PSD, estávamos conversados.

O actual silêncio da Direcção do PSD está errado. Errado porque um país em dificuldades não foi de férias e precisava de ouvir a voz de uma oposição alternativa, errado porque se deu espaço para o primeiro-ministro marcar a rentrée com uma leitura enviesada sobre a economia e o emprego, errada porque as vitórias baseadas exclusivamente no falhanço alheio são efémeras, errado porque em democracia nada substitui o carinho e a mobilização da base social de apoio partidária, algo que ainda não se faz através da net ou da TV. Nada substitui, em democracia, a força do contacto pessoal, do aperto de mão sentido, do olhar profundo nos olhos de um eleitor.

Errado ainda porque a expectativa gerada com um silêncio de dois meses só poderia ser quebrada por uma declaração que abalasse o eleitorado. Como não consta que seja desejável ou justificável declarar a guerra a Marrocos ou a Castela, tudo o que vier do discurso de 7 de Setembro será inevitavelmente pífio.

Oxalá não culpem o impacto mediático do Red Bull, a realizar na mesma data no rio Douro, pelo fiasco anunciado. A ser assim, só restará à nova Direcção do PSD desacreditar Descartes e defender uma nova tese, ajustada ao seu comportamento: "Não existo, logo penso".

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Comentários
11 Comentários

 
 
     
 
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24.08.2008
11:42
United Kingdom
A melhor forma de se conservar o "tacho" e por-lhe a tampa, porque a fervura deita muito (mau) cheiro. Durante tanto tempo acumularam-se os segredos, as "panelinhas" os acordos...agora zangam-se as comadres e ameacam-se com verdades...e perigoso... o melhor de facto, e estar calada, aguardar a oportunidade e depois, tal como o macaco, dar dois saltos acrobatas para a multidao apreciar e os mentores sorrirem de satisfeitos pela proeza...Este Paiz, esta um circo... Jorge Miguel, Londres, 24 de Agosto de 2008

 
 
 
23.08.2008
16:05
Portugal - Porto
É notável a preocupação e o mal-estar que um grupo com mesmos ideias pode reflectir nos seus membros. Por mais que tenha razão em certos itens o Sr. Menezes, já começa a ser hora do partido PSD se arrumar. 2009 é ano de eleições, ambos PS e PSD devem estar concentrados em terem consenso dentro de si e "guerrear" entre partidos. O povo português sabe que ou é o PS ou o PSD que irá formar governo, porque são os dois partidos com maior peso para ganhar as eleições. Se um dos partidos não está bem, e não faz frente ao outro partido, quem perde é o povo. Pois vai haver falta de melhorias no geral, e basta dizer só que é do partido "XYZ" para ganhar as eleições. Isso não deve acontecer! O povo português precisa melhorar as suas condições de vida. Isto implica, leis, economia, saúde, segurança social, justiça, etc, etc... Os "pequenos" partidos tentam fazer frente ao governo, e fazem bem. Mas sabemos bem que cada "pequeno" partido não consegue sozinho chegar a governo. Por isso, Se político, logo considero o POVO.

 
 
 
23.08.2008
10:32
Portugal - Santarém
Quem fale muito,já temos.O que é preciso é falar menos e trabalhar mais.Estamos fartos de vendedores de banha da cobra.É necessário arregaçar as mangas e trabalhar.Para isso são necessários outros governantes.Estes já deram provas de que não sabem fazer,sabem apenas falar.

 
 
 
22.08.2008
19:37
Portugal - Porto
Será liberdade democrática,luta de galos,lavar de roupa suja,ou falar para não estar calado? A Dr. M.F.LEITE,está calada ,nada diz.O Dr.L.F.MENEZES,falou mas aos custumes disse nada. O P.S.D.existe? Já estou como a outra:você sabe que eu não sei que você não sabe,que eu não sei,mas também lhe digo que se eu vier a saber sei que você sabe que eu sei que você sabe.Perceberam? EUtambém não.

 
 
 
22.08.2008
17:03
Portugal - Lisboa
Que não se dá pela oposição, lá isso é verdade. O PSD tem a "sua" estratégia - "ELES" ou "ELA" la´sabem... mas que de momento não parece bem, não parece...não parece... diz-se que em política o que parece é. O PCP e BE não sabem bem o que dizer, preocupados que sempre estão em defender quem pratica actos ilegítimos contra a sociedade institucionalizada. O CDS igualmente muito tímido e com medo de perder pontos para uma futura aliança com o PSD. O PS e o Governo "na maior"...mas também muito caladinhos quanto a questões de segurança interna; parece que não estão por cá...

 
 
 
22.08.2008
15:57
Portugal - Porto
ressalvo:em vez de adquar seja adequar e em vez de poiera,poeira. abaixo as gralhas! saudações democráticas!

 
 
 
22.08.2008
14:42
Portugal - Porto
oh dr filipe menezes:diga-me lá com que votos foi aprovado o novo cod.proc.penal?a dra calou-se que eu saiba, e o senhor mais o seu amigo que fizeram? votaram a favor?ou quer atirar poiera aos olhos dos tugas,desviando atenções para planos de actuação de segunda linha em vez de atalhar imediatamente com legislação repressiva adquada, para estancar a crise e então mais tarde e com calma,estudar soluções igualmente respeitaveis mas que demoram tempo a implementar.falar em tempo para dizer apenas banalidades e vulgaridades,dão o resultado que se viu com o senhor:porta da rua,que já cá temos demagogos que cheguem!

 
 
 
22.08.2008
14:07
Portugal - Lisboa
Dr Lui Filipe Menezes, Não podia estar mais de acordo.O PSD foi de férias grandes.Simplesmente não existe.Será que tanta batalha para o tirar da liderança para nada.Que pena não ter tido a vontade de entrar na guerra e correr com estes supostos barões que não fazem nem querem fazer.Manuela Ferreira Leite deve considerar-se tão importante pensa que vai ganhar os votos dos Portugueses sem fazer uma proposta.é louca? Ainda não sei de uma proposta que tenha feito.Simplesmente não tem perfil nem nunca teve para exercer um cargo publico.Foi a pior ministra das finanças que tivemos e só a sua ligação ao Prof Cavaco Silva a fez ganhar as directas.Dr F.Menezes,Por favor volte a bem do PSD e de Portugal.Volte, volte, volte e quem estiver mal que se mude....

 
 
 
22.08.2008
12:01
Portugal
Relativamente ao aumento do crime organizado,e só o sr ministro é que não quer aceitar, porque quando se desloca leva sempre com ele um batalhão,mas se por acaso a esposa dele e os filhos fossem assaltados então teríamos logo uma reunião urgente da Assembleia da República para alterar as leis deste País, porque enquanto as actuais se mantiverem tão brandas convida os criminosos a trabalharem à vontade.

 
 
 
22.08.2008
11:56
Portugal
"Por que no te callas?"

 
 
 
22.08.2008
11:49
United Kingdom
Apesar do silencio do PSD, existe sempre um ruido de fundo... tipo as velhas cassetes de audio que no fim de uma faixa, apesar de nao haver musica, existe o ruido de uma gravacao em branco. O PSD nao dá mostras de existir e nao tem intervido em momentos chave... nao quero isto dizer que Manuela Ferreira Leite deva fazer o mesmo jogo de demolicao politica que fazia Filipe Menezes, mas tambem o voto de silencio dá espaco ao actual governo e partido candidato ás proximas eleicoes demasiado espaco de propaganda politica. talvez este silencio seja uma estrategia para preparar um combate politico, com ideias novas e que cativem os eleitores... mas quanto mais tempo passa, cada vez acredito menos em ter uma "dama de ferro" para enfrentar Socrates. a ver vamos. entretanto sr Filipe menezes, dedique-se á camara de Gaia e tente fazer o melhor que pode por um concelho, aquilo que nao pode fazer pelo país.

 
 
 


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