GNR apreende 64 armas a médico de 70 anos
Duas buscas realizadas a casas de clínico, que diz ser coleccionador
NUNO SILVA
Um total de 64 armas de fogo, entre pistolas, revólveres, carabinas e caçadeiras, foram apreendidas, esta terça-feira, em duas buscas realizadas pela GNR a residências de um médico, de 70 anos, em Vila Nova de Gaia e Espinho.
A operação, desencadeada pelo Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Santo Tirso, surgiu na sequência de um megaprocesso que, em Julho passado, já tinha conduzido à apreensão de 192 armas e à detenção de 25 pessoas, por tráfico, posse ilegal e transformação de armamento.
O visado na acção policial de ontem foi referenciado por ter comprado uma arma a um dos indivíduos ligados àquele circuito e investigados no processo. O médico justificaria a posse do impressionante arsenal com a paixão pelo coleccionismo. Nas buscas, a uma moradia e um apartamento, os militares apreenderam 32 pistolas e revólveres e 32 carabinas e espingardas, umas por falta de licença e outras para serem alvo de exames.
Os elementos do NIC encontraram, também, mais de mil munições, de diversos calibres, sendo que 300 eram de 7,62 mm (para metralhadoras G3), e duas facas. O clínico foi detido, por posse ilegal de armas, e será presente, hoje, ao Tribunal de Valongo, para aplicação de medida de coacção.
A primeira fase da operação, há quatro meses, envolveu 101 buscas, em residências, armeiros e viaturas, um pouco por toda a Região Norte. Entre as quase duas centenas de armas apreendidas contavam-se caçadeiras, revólveres, pistolas (uma delas dissimulada numa caneta), carabinas e uma metralhadora Kalashnikov, esta encontrada na residência de um agente da Polícia Municipal de Famalicão. Dos 25 detidos na altura, um ficou em prisão preventiva (apontado como principal visado do processo), sete ficaram sujeitos a apresentações periódicas às autoridades e 17 prestaram termo de identidade e residência.
As investigações decorriam há cerca de um ano e começaram com um simples furto de uma pistola, em Valongo. A GNR descobriu, depois, um circuito ilegal de comercialização de armas, envolvendo várias pessoas.
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