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Lanchas rápidas da GNR são arma letal contra tráfico de droga

Unidades especiais da Brigada Fiscal patrulham as águas a velocidades que chegam perto dos 100 km/hora para interceptar lanchas de Marrocos

CARLOS VARELA 

"Máquina! Máquina!". O grito ressoa pelo exterior e interior da embarcação e em segundos a lancha de vigilância e intercepção (LVI) salta para mais de 40 nós (pouco mais de 72 quilómetros/hora).

E saltar é mesmo o termo, uma vez que o movimento pode ser de tal forma repentino que a expressão "Máquina! Máquina" funciona como um alerta, para os mais desprevenidos se agarrarem, tal com o JN pôde comprovar nas horas que passou a bordo.

A zona de eleição para a operação deste tipo de lanchas vocacionadas para combater o tráfico de droga é o Algarve, onde tem base o Destacamento de Portimão da Brigada Fiscal da GNR. Com meios divididos por Portimão, Olhão e Vila Real as LVI, atribuídas ao Serviço Marítimo, estão acostadas em marinas e o perfil afilado faz adivinhar a velocidade e a rapidez de manobra.

No cais da marina de Portimão, na Praia da Rocha, os seis homens da tripulação afadigam-se na preparação da embarcação para sair para o mar. A atenção está virada para as águas marroquinas. O major Palhau, comandante do Grupo Fiscal, explica ao JN que as "operações da LVI são normalmente acompanhadas por militares que estão em terra, em vigilância". O oficial mais não adianta, mas é óbvia a articulação entre as lanchas e as equipas que vigiam as águas a partir de postos em terra. Os postos ainda usam a obsoleta tecnologia LAOS, enquanto não chega o novo Sistema Integrado de Vigilância de Costa (SIVIC). Mesmo assim é dessas equipas que sai a maioria dos alertas.

A embarcação evolui num mar calmo, mas ao largo, com o sol já a desaparecer, a borrasca faz-se anunciar com relâmpagos marcando a linha do horizonte.

A poucas centenas de metros navega uma outra LVI, comandada pelo comandante do destacamento, o tenente Énio Silva. "Normalmente há duas LVI a operar e outras duas em reserva, mas estes meios podem ser reforçados", adianta, explicando que a área de responsabilidade da unidade abrange toda a costa algarvia, a zona mais sensível do País.

Uma das lanchas aumenta a potência e a proa levanta, até "planar". O contacto entre o caso e a água é mínimo. A velocidade ultrapassa rapidamente os 40 nós e é preciso agarrar algum apoio para não se ser lançado borda fora.

Por volta das 19.30 horas, é o regresso à marina, mas duas horas e meia depois uma das lanchas volta a zarpar. O mar está agora mais encrespado. À saída da barra o tenente manda desligar as luzes de sinalização, numa manobra evasiva, escondendo o rumo da embarcação. Há muito olhos à espreita, em terra e no mar, e nem todos estão do lado da Lei. O patrão da lancha, o sargento-ajudante Silva, está ao leme na ponte alta, mas o frio é cortante e a água do mar salta a proa, encharcando todos. A velocidade aumenta e o casco bate agora de forma mais violenta nas ondas. É impossível estar já na ponte alta e desce-se para a cabina, onde existe outra roda de leme.

O monitor do radar concentra as atenções e um militar mostra pontos verdes que indicam a presença de outras embarcações. "Devem ser de pesca", vaticina o cabo Pedro, com 25 anos de Serviço Marítimo, iniciados ainda na antiga Guarda Fiscal. "O tempo está mau, eles [os traficantes] assim não arriscam tanto...", mas reconhece-lhes cada vez mais atrevimento.

A conversa vai ajudando a passar as horas e um dos homens lembra que, "ainda não há muito tempo", uma embarcação com droga, ao largo de Vila Real de Santo António, abalroou uma LVI. Vinha em fuga das águas espanholas e devido à cooperação estreita da Guardia Civil com a Brigada Fiscal da GNR uma lancha rápida portuguesa estava à espera do barco traficante, que acabou por ser capturado e o haxixe apreendido. Não é incomum o uso das armas de bordo - espingardas-metralhadoras G-3 e G-36 - com fogo real para fazer parar os traficantes ou para impedir reacções mais violentas.

Há duas semanas, a LVI em que navegávamos participara na intercepção, com lanchas espanholas, de um barco de traficantes. "Foi uma perseguição a mais de 40 nós", adianta o patrão.

O adversário está perto, a apenas sete horas de viagem. "Na maioria vêm de Larache [Marrocos]", diz alguém, mas naquela noite não se divisavam senão relâmpagos e ondas encrespadas. O tenente, olhando o radar, manda aproximar da costa e sobe à ponte alta munido de um intensificador de imagem, que lhe permite ver de noite. A LVI aproxima-se de pesqueiros, já com as luzes acesas, e aponta os holofotes para ver a identificação das embarcações. Nada de anormal.

Já passa das três da madrugada, quando a LVI regressa à marina. A missão está concluída, por agora, mas dentro de cinco horas tudo tem que estar pronto para uma nova saída.

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Comentários
13 Comentários

 
 
     
 
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31.12.2008
05:11
Portugal - Porto
Pronto, os 400 kms/h que falei podem ser um exagero e escrevi-o mesmo nesse sentido como poderia ter escrito 1000 kms/h mas que as lanchas com vários motores de topo de gama de tudo quanto é traficante e bandido comem "de cebolada" estas novas da GNR, isso ninguém pode negar, por muitos anos de experiência de mar que tenham. Concordo, pois, com o corsario e o jamcintotario, tudo para ficar bem na fotografia...nada mais...

 
 
 
30.12.2008
23:36
Portugal - Lisboa
Essas lanchas e so para a fotografia !Concordo com o que foi referido pelo estimado JANCINTOTARIO !!

 
 
 
30.12.2008
16:29
United Kingdom
Deus queira que a nova brigada da GNR, oriunda da Fiscal venha a ter muitas lanchas rapidas, mas se possivel um pouco por toda a costa porque Portugal e um Paiz com uma larga costa e parece-me que esta brigada esta vocacionada apenas para o Sul - muito ao Sul-. Ou seja, para Portugal, porque o resto e paisagem. Entao e aqueles pesqueiros que trazem droga ate as 30 milhas e as lanchas vao la buscar, aqui ao Norte de Angeiras, nao contam ? E aqueles barcos de contrabando que utilizam a frequencia de radio de taxis em V.N. Gaia...tambem nao teem interesse. Ah, talvez a Policia Maritima possa dar um geito...ja percebi. Desculpem a estupidez do -macaco- Otario. Jacinto Otario/UK

 
 
 
30.12.2008
14:41
Canada
Sr.Costa Ribeiro, o facto de ter LABUTADO sobre o mar cerca de 20 ANOS, como se diz na gíria popular marítima,"FAZER DA QUILHA PORTALÓ" será "IR AO FUNDO" não pretendendo de modo algum criar uma discussão e muito menos ir contra sua PALAVRA AVALISADA(ponto final)...Sei muito bem o que é QUILHA e o que é o PORTALÓ...Tenho dito.FELIZ NOVO ANO, porque o Natal, já deve ter passado o HÉLICE da linha do HODÓMETRO...

 
 
 
30.12.2008
10:47
Portugal - Porto
Caro/a "Mariol",você na entrada do seu segundo comentário até parecia que ia trazer á discussão algo de novo,afinal a montanha pariu um rato.Eu disse que 400km/hora era piada e que os tais cerca de 100km/hora,só seriam possiveis com MAR CHÃO (você diz como um espelho,é precisamente a mesma coisa)e com diversas circunstâncias a ocorrerem favoravelmente.Agora quanto a lições é melhor não ir por aí pois que mistura QUILHA com PORTALÓ,não domina a arte nautica de todo.Informe-se o que é o portaló,a prancha,a popa ,a proa,o mastro,a quilha,bombrdo,estibordo,obras vivas,obras mortas,etc.Fazer parecer que sabe é fácil,dificil é demonstrar que sabe do assunto.BOAS-FESTAS e FELIZ2009.

 
 
 
30.12.2008
01:18
Canada
Posso apostar com quem quizer, que essa velocidade, pode ser atingida(?)se o mar estiver como um espelho, pois já o vi desse modo na Gronelandia , uma quantidade de vezes, mas também o vi em menos de 1/4 de hora o mesmo mar, ficar com vagas de 4 a 6 metros. Os barcos de corrida, atingem velocidades descomunais, mas com a miníma "MAROLA" fazem da "QUILHA PORTALÓ" num abrir e fechar d'olhos, mas no entanto há sempre que ter em conta o "LASTRO", que pode ser variável e em alguns casos (até DESCONHECIDO) esta vos digo eu...Mas falar nisto para quê?...experimentem, se querem ver!!! Eu posso convencer-me que as embarcações da GNR, atinjam perto de 90K/H mas Knots, a difereça é RAZOÁVEL. Isto é simplesmente um comentário, não uma lição, além disso, não tenho vocação para professor, nem o quero ser...

 
 
 
29.12.2008
21:34
Canada
Embora com o cuidado necessário, estes BILTRES,(mal empregado nome) porque não era assim que eu queria tratar, quem se dedica a traficar drogas, teem algo com o que se entreter, pois é difícil "bater estas MÁQUINAS, que pelo vídeo parecem e devem ser bastante pesadas e difíceis portanto de serem batidas" isso posso eu dizer. Força GNR, mostrem a estes energúmenos "com quantos paus se faz uma canôa", boa CAÇADA...

 
 
 
29.12.2008
14:31
France
Hraky E comico ! ihih ! 400Km/h ?! Ihih !

 
 
 
29.12.2008
12:25
Portugal - Porto
Este sr/a"hraky deve perceber muito de navegação,só não sei se ele está a referir-se a navegação maritima ou aérea...400km/hora no mar só pode ser piada,mesmo os tais 100km/hora que o jornalista fala só são possiveis com mar chão,como se diz na Marinha,compare com as velocidades dos chamados Formula Um das provas desportivas nauticas.Quanto ao pormenor de o aumento de velocidade ser praticado de forma tão instantanea,isto é,á voz de "Máquina""Máquina"a embarcação passa de navegação «DEVAGAR»instantaneamente para «TODA A FORÇA»,bem,ou é treta ,ou as lanchas estão a ser conduzidas por pessoal sem experiencia e vão durar pouco tempo.Se for verdade este tipo de condução dentro de pouco tempo vem a noticia de que as Brigadas Fiscais estão sem meios de combate ao tráfico maritimo.

 
 
 
29.12.2008
12:09
Portugal - Porto
Estas lanchas são mais úteis que os submarinos desde que, como se espera, sejam tripuladas por gente de bem...

 
 
 
29.12.2008
06:21
Portugal - Porto
Perto dos 100 kms/h? Sim senhor... quando é mais que sabido que as lanchas dos traficantes atingem os 400 kms/h em pouco mais do que menos, estas serão a verdadeira "arma letal", não haja dúvida... mas esta notícia era para enganar quem?

 
 
 
29.12.2008
05:58
Portugal - Porto
Eh so especiais, deixem-se de publicidades baratas e toca a trabalhar

 
 
 


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